Com o foco numa Estrada mais segura

  

Brisa

Realizou-se hoje, no âmbito da Mobi Lisbon Summit, o workshop "Segurança Rodoviária: Um desígnio nacional". Promovido pela Brisa, em parceria com a Fidelidade e a BP, o evento refletiu sobre os passos a dar, tendo em vista uma maior segurança nas estradas nacionais.

No caminho até ao auditório do Museu da Eletricidade, era possível aos visitantes encontrar algumas das novidades tecnológicas do mundo da mobilidade, como um shuttle de condução autónoma da Transdev. E a tecnologia não deixou de fazer parte do debate. Durante a sessão de abertura, o Presidente da Brisa, Vasco de Mello, destacou os comportamentos de risco ao volante característicos da era digital (sobretudo o uso do telemóvel) como uma das razões para as dificuldades de redução do número de mortes nas estradas. Uma visão corroborada pelo presidente da Associação Nacional de Segurança Rodoviária, Jorge Jacob, que salientou mesmo a importância de haver uma resposta legislativa ao problema.

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Contudo, no mundo da segurança rodoviária, a tecnologia está longe de ser apenas um fator de risco. Como salientou o Diretor do Negócio Automóvel da Fidelidade, Paulo Figueiredo, tendo em conta que 90% dos acidentes são causados por erro humano, "o fator tecnológico será determinante para ganhar esta batalha [da segurança nas estradas]". Para além da condução autónoma, outras soluções foram referidas como, por exemplo, o já existente sistema de medição da taxa de álcool que impede o arranque do veículo.

Se a tecnologia poderá ser um precioso auxílio, no futuro, a segurança rodoviária é uma preocupação a que é necessário dar resposta no presente, concordaram os oradores. Uma resposta que, ressalvou Jorge Jacob, é por vezes mais demorada, por envolver muitos setores (como a Saúde, a Educação ou a Justiça). Também por essa razão, acrescentou, é necessária uma resposta transversal, salientando a recente criação de três órgãos interdisciplinares dedicados a esta temática como uma boa prática, no sentido do desenho, implementação e avaliação das políticas públicas.

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E, quanto a políticas públicas, o deputado do Partido Social Democrata, Paulo Rios de Oliveira, garantiu que, em termos de segurança rodoviária, "todos os partidos pensam o mesmo", variando apenas a intensidade e a abordagem escolhidas. Neste particular, o deputado realçou que, no seu entender, soluções como as multas ou sanções apenas funcionam no curto prazo: "a longo prazo, temos de apostar na pedagogia".

Como criar empatia?
Na procura de estradas mais seguras, "a comunicação pode ter um papel muito importante", destacou Tomás Froes, fundador da agência Partners, durante o segundo painel da tarde, dedicado à relação da Segurança Rodoviária com a Sociedade Civil. O debate centrou-se, precisamente, nas formas de fazer passar a mensagem da segurança, resolvendo o que Tomás Froes apelidou de "primeira barreira": "a apatia e a indiferença".

A forma de quebrar esta barreira, salientou, poderá passar “pela criatividade e pela ambição comum”. Outra das soluções, realçou o empresário, passa por "trocar a comunicação mais institucional por uma vertente mais pessoal".

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Nesse sentido, o Tomás Froes destacou o papel de Salvador Mendes de Almeida, presidente da Associação Salvador, também presente na sessão, ao partilhar com os portugueses a sua história de vida e a forma como um acidente de mota o deixou tetraplégico, aos 15 anos. “A associação procura proporcionar a vida mais ativa possível às vítimas de acidentes e alertar para casos como o meu”, realçou Salvador Mendes de Almeida.

Para mudar as mentalidades nacionais, concordaram os oradores, será necessário apostar nos jovens enquanto embaixadores desta mensagem. Nesse sentido, destacou o CEO da Forum Estudante, Rui Marques, estes poderão ser cidadãos sensibilizados para os perigos e embaixadores desta mensagem junto das famílias e dos seus pares, “sendo uma força motriz para a mudança”.

Como tal, acrescentou, a Forum Estudante aposta em duas dinâmicas, em conjunto com os seus parceiros. Por um lado, apostando em captar a atenção dos jovens de forma lúdica e pedagógica (em atividades como o Brisa Student Drive Camp). Por outro, estimulando a comunicação entre pares, de estudantes para estudantes (em desafios como o BP Segurança ao Segundo).

Independentemente da faixa etária a que a mensagem se dirige, realçou a Diretora de Marketing da BP, Anabela Silva, “educar para a segurança rodoviária é um ato de cidadania”. É por essa razão que a BP Portugal procura “deixar uma semente que poderá mudar os comportamentos” junto da população, capitalizando a sua experiência na área da segurança.

A meta europeia para 2020 fixou-se na redução em 50% o número de vítimas mortais nas estradas. Um desafio exigente que obriga à articulação de todos os setores e que, nas palavras do Presidente da Brisa, Vasco de Mello, mostra a importância de eventos como o de hoje: “para que possamos continuar focados na segurança rodoviária”.

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