SportsWeek: da utopia das abelhas à aventura pelo mundo subterrâneo

  

 

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O segundo dia da Semana do Desporto passou-se na aldeia de Chãos, no Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros. Com a colaboração da Cooperativa Terra Chã, conheceu-se os produtos, o património e os recursos locais. Com muito exercício à mistura.

A certa altura, no interior da gruta das Alcobertas, o guia Tiago Laurentino pediu para os participantes desligarem os seus focos de luz. Durante os segundos que se seguiram, mergulhou-se numa escuridão absoluta, onde o silêncio era apenas interrompido pela ocasional queda de uma gota de água. “É importante que ouçam os pingos que caem – que conheçam a vida da gruta”, destacou o guia.

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Antes da entrada, o técnico de turismo da natureza da Cooperativa Terra Chã referiu algumas das características da gruta aos visitantes. Com 210 metros de comprimento, a gruta das Alcobertas guardou, durante milhares de anos, vestígios dos períodos neolítico e paleolítico, sendo que o espólio pode ser hoje visitado no Museu de Arqueologia, em Lisboa. Depois da descrição, Tiago Laurentino lançou o desafio aos participantes: “estão preparados para uma aventura pelo mundo subterrâneo?”.

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Durante a visita, os estudantes puderam ficar a conhecer os diversos elementos da gruta das Alcobertas: as suas galerias e colunas, sem esquecer as inevitáveis estalactites e estalagmites.

Foi já no exterior que o guia explicou à Forum o projeto de dinamização do espaço, promovido pela Cooperativa Terra Chã. Na sua atividade, esta cooperativa é responsável por organizar a visitação e manutenção da gruta. “Trouxemos a gruta para o público na sua generalidade”, destacou. 

Ao longo do ano, através de marcação, famílias, grupos de amigos, excursionistas ou de campos de férias visitam a Gruta das Alcobertas. No segundo domingo de cada mês, a visita pode ser realizada sem marcação.

As visitas enquadram-se na missão da Terra Chã de desenvolvimento local e de valorização do património regional. Por essa razão, explicou Tiago Laurentino, o objetivo não passa por apenas “vender uma visita à gruta”, baseando-se numa abordagem mais integrada que inclui também uma visita ao espaço do Parque Natural da Serra De Aire e Candeeiros, conhecendo a sua fauna e flora.

Entre a escalada e o rappel
Outra das estações incluídas durante as atividades do dia trouxe um desafio em altitude. Perto da aldeia de Chãos, os estudantes e professores da Escola Superior de Desporto de Rio Maior ajudaram os participantes da SportsWeek a fazer escalada em rocha e rappel. 

O professor da ESDRM, Paulo Rosa, explicou à Forum a diferença entre estas duas atividades. Se a escalada é um desporto, rappel é uma técnica de descida controlada pelo próprio praticante. É também aí que reside outra das principais diferenças, realçou o docente: “a escalada, sendo um desporto individual, inclui uma componente de confiança e colaboração”. Ao ser realizada em pares, reforçou, "a descida é controlada pelo colega que dá segurança”.

Por essa razão, esta foi também uma forma de criar “um maior envolvimento” entre os participantes da semana, ao colocá-los em ambos papéis. “A verdade é que têm a vida do outro na mão”, concluiu o docente.

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Aprender com as abelhas
Pedro Mendonça tinha 12 anos quando o seu pai decidiu comprar uma colmeia. Por essa razão, pai e filho dirigiram-se a casa de um apicultor que lhes mostrou o seu apiário. “Entrei sem fato e não fui picado”, contou à Forum o hoje técnico apícola da Cooperativa Terra Chã, que acrescentou: “fiquei a gostar das abelhas”.

Durante cerca de 30 minutos, Pedro Mendonça dinamizou uma sessão de esclarecimento sobre apicultura, durante a qual os participantes da Semana do Desporto puderam conhecer o conjunto de dinâmicas da colmeia, os seus elementos (obreiras, zangões e abelha-rainha) e o processo de recolha dos subprodutos desta atividade: mel, cera, pólen, própolis e geleia-real. 

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De acordo com Pedro Mendonça, o principal objetivo desta sessão foi destacar junto dos estudantes “a importância da abelha”. “Quase ninguém está a par e, sem as abelhas, praticamente não existiria vida”, sublinhou, aludindo à importância do processo de polinização na reprodução de diversas espécies vegetais e, por consequência, na sobrevivência da fauna.

Esta “forma diferente de ver as abelhas”, destacou, surge em contraste com a postura baseada no “foge que ela pica”. Ao contactar com a complexidade do mundo apícola, os participantes poderão comprovar que “uma coisa que parece caótica é, na verdade, extremamente organizada”. Por outro lado, pretendeu-se também tentar desconstruir alguns mitos sobre o mel, numa lógica de “educação do consumidor” onde a identificação da origem do mel se assume como uma das maiores preocupações.

De resto, para Pedro Mendonça, o funcionamento de uma colmeia é “um excelente exemplo para a sociedade”: fundado em bases como igualdade ou trabalho colaborativo, as abelhas estão muito próximas de “um mundo perfeito”, destacou: "o mundo da abelha está muito perto da utopia que imaginamos”. Por essa razão, referiu ainda, vários teóricos das áreas da economia e gestão de empresas fazem referência a este modelo organizacional.

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A ligação da Cooperativa Terra Chã à atividade apícola relaciona-se com a sua missão de “reabilitar atividades económicas do passado”, adiantou ainda o técnico. Sendo uma produção com história na região das Serras de Aire e Candeeiros, esta foi abandonada durante a década de 1980. Hoje, a Terra Chã presta apoio técnico a 101 apicultores, “para que possam produzir mais e com maior qualidade”, concluiu.

Depois do regresso a Rio Maior, houve ainda tempo para uma sessão de esclarecimento sobre a oferta formativa da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, onde foram detalhadas as principais competências adquiridas nos cursos desta escola, bem como as respetivas saídas profissionais.

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