Leiria-In #4: a arte de produzir arte

  

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Da cerâmica de Alcobaça à investigação na Marinha Grande, o quarto dia da Leiria-In passou ainda por quatro workshops ligados às artes nas Caldas da Rainha.

O perímetro da SPAL é equivalente a oito campos de futebol. Foi este local - de onde saem, todos os anos, 18 milhões de peças de porcelana - que a primeira paragem do quarto dia da Semana da Indústria: a Sociedade de Porcelanas de Alcobaça. A visita incluiu o contacto com os diferentes fases do processo de produção.

Na receção aos visitantes, a responsável de marketing desta sociedade destacou que, desta produção, 60% é exportada para mais de 40 países. A visita, acrescentou, poderá ter um papel importante na vida dos estudantes do secundário: “espero que esta experiência possa dar um contributo importante, na escolha do vosso futuro”.

Desta forma, durante cerca de uma hora, vinte e cinco dos cinquenta participantes do Leiria-In puderam entrar no mundo da produção de cerâmica, conhecendo as suas diferentes fases: do design, à vertente comercial, passando pela produção de materiais ou acabamentos.

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A gerente da ARFAI, Carla Moreira, recebeu os participantes

Simultaneamente, um outro grupo visita a ARFAI, também em Alcobaça. De acordo com a sócia-gerente desta empresa, Carla Moreira, o objetivo passou por “dar a conhecer a cerâmica decorativa de Alcobaça”. Em última análise, destacou, é também papel desta empresa promover “a atrividade do distrito”, procurando fixar jovens na região.

Para cumprir esta meta, acrescentou Carla Moreira, a visita incluiu o contacto com as diferentes áreas e saídas profissionais associadas (engenheiro/a cerâmico, técnico de marketing ou designer são alguns dos exemplos). “Há um conjunto de profissões que podem seguir, trabalhando nesta área e nesta região”, reforçou.

O mundo da pedra
“Quem é que sabe o que se faz numa pedreira?”, começou por questionar o presidente do Conselho de Administração da Solancis, Samuel Delgado. Perante a resposta dos participantes do Leiria-In, o reponsável congratulou os presentes por quererem conhecer melhor este mundo.

Fundada em 1969, a Solancis detém 12 pedreiras, sendo que 8 delas se concentram no Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros. Atualmente, acrescentou Samuel Delgado, conta ainda com 104 trabalhadores que se dividem pelas diferentes áreas de atuação: extração, transformação e comercialização.

A chave para o sucesso, explicou ainda o empresário, está na junção das vertentes tecnológicas e artesanais. Na Solancis, explicou, essa é uma preocupação presente: “temos tradição e tecnologia – pessoas que trabalham a pedra à mao e CNC que o fazem automaticamente”.

Durante o resto da manhã, dois engenheiros da Solancis mostraram o espaço desta empresa aos participantes, conduzindo-os pelas diferentes estações que incluem desenho e corte.

As diferentes artes na Arte
A Escola Superior de Arte e Design do Politécnico de Leiria, nas Caldas da Rainha, foi o palco das atividades da tarde, com os participantes a serem divididos em quatro equipas que integraram quatro workshops diferentes.
Serigrafia, fotografia, desenho de luz e cerâmica foram as atividades escolhidas, durante as quais técnicos e estudantes da ESAD orientaram os participantes.

No workshop de serigrafia, o desafio era criar a partir de criações. Utilizando imagens ligadas ao património da região de Leiria, os estudantes puderam ilustrar um poster, dando largas à criatividade. Durante a sessão, a técnica da ESAD, Vera Gonçalves mostrou ainda alguns dos produtos que são elaborados na Oficina de Gravura da ESAD.

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Na ofinica de cerâmica, a equipa azul teve oportunidade de “criar o seu buddy”. De acordo com o estudante de mestrado da ESAD que orientou os trabalhos Frederico Ferreira, devido ao facto da cerâmica implicar “um processo longo”, optou-se por uma atividade que usa algumas técnicas desta área.

Os acabamentos em vinil e a pintura da cerâmica são alguns dos exemplos, sendo que, no essencial, explica o estudante de mestrado, o objetivo passou por “passar uma ideia dos diferentes passos do processo da cerâmica: idealizar, fazer o protótipo e finalizar”.

Uma outra equipa trabalhou as “noções elementares de iluminação”. De acordo com o técnico da ESAD, Daniel Coimbra, os estudantes poderão ficar “mais atentos à luz”, depois de conhecerem a questões específicas como contraste, direção ou luz geral e pontual. Em teatro e cinema, destacou, há momentos “que tem a ver com a qualidade do ator mas é também o técnico que proporciona”.

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Por fim, no laboratório de fotografia, outra das equipas pode contactar com o cada vez mais distante mundo analógico. “Pretendemos mostrar a diferença entre o analógico e digital”, explicou o técnico Pedro Cá. Conforme relembrou, estes estudantes “nasceram na era digital e não tiveram contacto com o processo analógico”.

Por essa razão, os participantes puderam fotografar nos dois tipos de câmara e participar no processo de revelação da película.
Desenvolvimento Rápido e Sustentado

Antes de jantar, tempo para uma passagem pelo Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto (CDRSP). O fim de tarde foi passado entre os vários laboratórios deste centro: scaneamento e impressão 3D, realidade aumentada ou biofabricação. Alguns os participantes puderam mesmo ser “digitalizados”, sendo criada uma réplica virtual.

O CDRSP establece a ponte com a indústria, ao contribuir para a criação de produtos inovadores que tragam maior eficiência e eficácia. Desta forma, algumas das áreas de investigação deste centro são relacionadas com a indústria de moldes, a injeção de plásticos, biofabricação, impressão 3D ou produção de equipamentos.

Antes de deitar, espaço para música, com a atuação das Tunas do Politécnico de Leiria, nos Pátios Exteriores da Biblioteca Municipal. Entre alguns dos temas mais conhecidos como “A Mulher Gorda”, destaque também para outros dos ambientes recriados, com a interpretação de temas que foram do romântico ao festivo.