Já há Tanto Mar em Peniche

  

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Começou hoje, em Peniche, a oitava edição da Semana Tanto Mar – uma semana durante a qual 50 estudantes do secundário vão poder “ficar a conhecer todo o potencial do mar”, explicou o subdiretor da ESTM, Sérgio Leandro. 

Situada numa pequena península, Peniche é maioritariamente rodeada pelo Oceano Atlântico. Como tal, explicou o arqueólogo da Câmara Municipal local, Rui Venâncio, “Peniche é uma terra de mar”, com o qual mantém uma ligação histórica observável em vários pontos da cidade. “Nos nomes das ruas, nos motivos decorativos, no tecido económico ou na arquitetura popular”, detalhou. 

A primeira atividade da Semana Tanto Mar começou com um peddy-paper que, acrescentou Rui Venâncio, procurou mostrar aos cinquenta estudantes do secundário que nela participam essa mesma ligação. Depois da partida, na Fortaleza de Peniche, os participantes percorreram as ruas do centro histórico, procurando novas pistas e instruções. 

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Conforme salientou, durante a sessão de abertura, o Subdiretor da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche, Sérgio Leandro, o objetivo é que, durante os próximos dias, estes cinquenta estudantes possam “perceber que o mar tem um potencial enorme”, em vários setores de atividade: do turismo ao desporto, passando pela investigação científica e pelo setor económico. 


Vídeo de highlights da Academia Tanto Mar 2016

Para além de realçar o contacto com o potencial estratégico deste recurso, Sérgio Leandro destacou ainda a possibilidade de alguns dos participantes encontrarem uma oportunidade de futuro “e abraçar uma das profissões do mar”. Nesse sentido, o programa contempla o contacto com várias instituições ou empresas ligadas às várias formas de rentabilização dos oceanos. 

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Uma dessas instituições é o Porto de Peniche. Presente na sessão de abertura, o capitão do Porto de Peniche, Marcos Augusto, realçou “a oportunidade única” que esta academia constitui. “Esperamos que esta semana vos marque em termos pessoais e, quem sabe, possa abrir alguma perspetiva profissional”, sublinhou.

Para este primeiro dia, Sérgio Leandro explicou que o objetivo passava por conhecer o património histórico e cultural de Peniche. 

Entre a Arte e a História 
Oriunda do norte da Europa, a renda de bilros chegou a Portugal “por via marítima”, explicou Rui Venâncio. Por essa razão, é uma arte característica das regiões piscatórias portuguesas, sendo “um tema identitário de Peniche”. Durante séculos, a produção de peças em renda de bilros constituiu “um retorno económico suplementar para os agregados familiares” locais, sobretudo no inverno, quando a atividade piscatória era impossibilitada pelas condições climatéricas adversas. 

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No Museu da Renda de Bilros, os participantes puderam ficar a conhecer “as características muito próprias da renda de bilros de Peniche”, efetuando também uma viagem aos primeiros registos históricos desta arte que foi representada, por exemplo, por Josefa de Óbidos, durante o século XVII. 

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A viagem continuaria até ao século XVIII, com uma passagem pelo local do naufrágio do San Pedro de Alcântara – um navio de guerra espanhol que transportava mercadorias oriundas do Peru. Foi a 2 de fevereiro de 1786 – “uma noite fria de inverno”, acrescentou Rui Venâncio – que a embarcação, transportando cerca de uma tonelada de metais, naufragou. 

O acontecimento “marcaria a comunidade de Peniche”, uma “vila pequena” que, subitamente, acolhe um contingente que incluía marinheiros espanhóis, prisioneiros incas e, mais tarde, mergulhadores vindos de toda a Europa, contratados pela coroa espanhola. Muitos dos sobreviventes e mergulhadores iriam mesmo fixar-se em Peniche, acrescentou Rui Venâncio. A colaboração entre Portugal e Espanha durante os trabalhos de assistência e recuperação das mercadorias “ajudou mesmo a unir as duas coroas”. 

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Entre as mercadorias recuperadas, destaca-se, por exemplo, pedaços de uma coleção de cerâmica pré-colombiana. Tesouros que levam Rui Venâncio a salientar o impacto que o San Pedro de Alcântara teve na região. “Foi como uma nave espacial que veio do outro lado do mundo e aterrou na costa de Peniche”, sublinhou.

 

Há Tanto Mar em Peniche

Começou hoje, em Peniche, a oitava edição da Academia Tanto Mar – uma semana durante a qual 50 estudantes do secundário vão poder “ficar a conhecer todo o potencial do mar”.

Situada numa pequena península, Peniche é maioritariamente rodeada pelo Oceano Atlântico. Como tal, explicou o arqueólogo da Câmara Municipal local, Rui Venâncio, “Peniche é uma terra de mar”, com o qual mantém uma ligação histórica observável em vários pontos da cidade. “Nos nomes das ruas, nos motivos decorativos, no tecido económico ou na arquitetura popular – nomeadamente, no Bairro do Visconde”, detalhou.

A primeira atividade da Academia Tanto Mar começou com um peddy-paper que, acrescentou Rui Venâncio, procurou mostrar aos cinquenta estudantes do secundário que nela participam essa mesma ligação. Depois da partida, no Forte de Peniche, os participantes percorreram as ruas do centro histórico, procurando novas pistas e instruções.

Conforme salientou, durante a sessão de abertura, o Subdiretor da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche, Sérgio Leandro, o objetivo é que, durante os próximos dias, estes cinquenta estudantes possam “perceber que o mar tem um potencial enorme”, em vários setores de atividade: do turismo ao desporto, passando pela investigação científica e pelo setor económico.

Para além de realçar o contacto com o potencial estratégico deste recurso, Sérgio Leandro destacou ainda a possibilidade de alguns dos participantes encontrarem uma oportunidade de futuro “e abraçar uma das profissões do mar”. Nesse sentido, o programa contempla o contacto com várias instituições ou empresas ligadas às várias formas de rentabilização dos oceanos.

Uma destas instituições é o Porto de Peniche. Presente na sessão de abertura, o capitão do Porto de Peniche, XXXXX, realçou “a oportunidade única” que esta academia constitui. “Esperamos que esta semana vos marque em termos pessoais e, quem sabe, possa abrir alguma perspetiva profissional”, sublinhou.

Para este primeiro dia, Sérgio Leandro explicou que o objetivo passava por conhecer o património histórico e cultural de Peniche.

Entre a arte e a história
Oriunda do norte da Europa, a renda de bilros chegou a Portugal “por via marítima”, explicou Rui Venâncio. Por essa razão, é uma arte característica das regiões piscatórias portuguesas, sendo “um tema identitário de Peniche”. Durante séculos, a produção de peças em renda de bilros constituiu “um retorno económico suplementar para os agregados familiares” locais, sobretudo no inverno, quando a atividade piscatória era mais escassa.

No Museu da Renda de Bilros, os participantes puderam ficar a conhecer “as características muito próprias da renda de bilros de Peniche”, efetuando também uma viagem aos primeiros registos históricos desta arte que foi representada, por exemplo, por Josefa de Óbidos, durante o século XVII.

A viagem continuaria até ao século XVIII, com uma passagem pelo local do naufrágio do San Pedro de Alcântara – um navio de guerra espanhol que transportava mercadorias oriundas do Peru. Foi a 2 de fevereiro de 1786 – “uma noite fria de inverno”, acrescentou Rui Venâncio – que a embarcação, transportando cerca de uma tonelada de metais, naufragou.

O acontecimento “marcaria a comunidade de Peniche”, uma “vila pequena” que, subitamente, acolhe um contingente que incluía marinheiros espanhóis, prisioneiros incas e, mais tarde, mergulhadores vindos de toda a Europa, contratados pela coroa espanhola. Muitos dos sobreviventes e mergulhadores iriam mesmo fixar-se em Peniche, acrescentou Rui Venâncio. A colaboração entre Portugal e Espanha durante os trabalhos de assistência e recuperação das mercadorias “ajudou mesmo a unir as duas coroas”.

Entre as mercadorias recuperadas, destaca-se, por exemplo, pedaços de uma coleção de cerâmica pré-colombiana. Tesouros que levam Rui Venâncio a salientar o impacto que o San Pedro de Alcântara teve na região. “Foi como uma nave espacial que veio do outro lado do mundo e aterrou na costa de Peniche”, sublinhou.