O segundo dia de Tanto Mar fez-se nas ondas

  

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Depois de apanharem algumas ondas e fazerem uma viagem de mota de água, os participantes da Semana Tanto Mar mergulharam no mundo da biodiversidade marinha.

Num domingo de sol, o mar de Peniche encheu-se de pequenos pontos garridos que procuravam o equilíbrio sobre as ondas. Ao longo do areal, contam-se vários grupos, pertencentes a escolas de surf que se preparam para colorir o horizonte. Os cinquenta participantes da Tanto Mar constituiram mais um desses grupos, experimentando, ao longo da manhã, as várias técnicas de surf. 

A atividade foi conduzida pelo elemento da direção do Peniche Surfing Clube, Eurico Cavaco, que ressalvou que, tendo em conta o horário disponível, esta foi apenas de “uma experiência de surf, não uma aula”. Contudo, houve tempo para aprender algumas das técnicas básicas e cuidados a ter na prática deste desporto.

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O dia continuou no areal e, depois do almoço, foi a vez do Instituto de Socorro a Náufragos (ISN) proporcionar uma nova oportunidade: apanhar “uma boleia” de mota de água, em que os participantes viajaram deitados numa prancha incorporada.

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Antes, um dos elementos do núcleo de formação do ISN, sargento Fidalgo, explicou aos estudantes a história deste instituto. Nascido em 1890, o ISN nasceu por iniciativa da Rainha Dona Amélia, numa altura em que a costa portuguesa era conhecida como “a costa negra”. “Nesse ano de 1890”, exemplificou o sargento, “morreram mis de 100 pessoas num dia de tempestade”.

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Desde então, a missão do ISN tem evoluído, sendo centrada, hoje, em duas atribuições principais: serviço de salvamento marítimo e assistência aos banhistas. Relativamente a esta última competência, o responsável do ISN recordou alguns dos requisitos para se ser nadador salvador – ter, no mínimo, 18 anos de idade; um atestado médico que certifique boa condição clínica e ainda a prestação de provas físicas. “Não é preciso ser um nadador olímpico mas exige alguma preparação”, explicou.

Na sua maioria, a atividade de um nadador salvador, ressalvou Fidalgo, não consiste em “fazer salvamentos”. Antes, há um trabalho de prevenção muito importante que permite evitar que os salvamentos sejam necessários. Por essa razão, foram ainda recordadas algumas das regras básicas para um banhista: escolher praias vigiadas, respeitar a sinalização das bandeiras, nadar acompanhado e com pé.

Alto rendimento, mínimo impacto
Situado junto à Praia das Alfarrobas, o Centro de Alto Rendimento de Surf de Peniche é um dos quatro existentes em território nacional. Originalmente, foi planeada a construção de sete centros de alto rendimento espalhados pelo país. Contudo, apenas quatro seriam construídos, em Peniche, Nazaré, Aveiro e Viana do Castelo.

O edifício do centro de Peniche é construído no formato de um “X” – uma escolha que, explicou uma das responsáveis pela gestão do espaço aos participantes da Tanto Mar, é inspirada no facto dos melhores sítios para a prática de surf serem tradicionalmente assinalados no mapa com esta letra.

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Ao final da tarde, os cinquenta estudantes do secundário visitaram todos os espaços deste centro: da área residencial, à desportiva, passando pela sauna ou pelo hangar. Conforme o nome indica, “tudo neste centro foi desenhado para proporcionar o alto rendimento dos atletas”, acrescentou. 

De igual forma, o desenho do CAR Surf teve ainda uma preocupação adicional: o respeito pelo ecossistema local. Por essa razão, o edifício não está assente diretamente no terreno, sendo construído sobre uma estrutura que “permite explorar a fauna e a flora e minimizar o impacto ambiental”. Reforçando a ligação com a natureza e com os oceanos, todo o edifício está revestido por um padrão alusivo às escamas de peixe. 

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Um mergulho na biodiversidade
“Com a maioria da sua superfície coberta por água, o nosso planeta poderia chamar-se Oceano”. É esta a frase que abre o documentário “Live Sea” – um trabalho de Susana Ferreira, docente do Politécnico de Leiria – a que os participantes da Semana Tanto Mar puderam assistir, depois de jantar.

Ao longo de cerca de uma hora de duração, “Live Sea” mostra a vida no fundo dos oceanos, registando a interação entre as diferentes espécies que habitam a costa de Peniche e o Arquipélago das Berlengas. No total, “90% da biodiversidade do planeta Terra está concentrada nos oceanos”, facto que ilustra a riqueza deste recurso que guarda ainda muitos segredos. “O fundo do mar é menos conhecido do que a superfície de Marte”, realça Renato Grandelle, no jornal O Globo.

No final do documentário, a autora respondeu a algumas das questões dos participantes, esclarecendo curiosidades sobre a vida marinha local e perspetivando já a viagem ao Arquipélago da Berlenga, agendada para terça-feira. 

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O objetivo da realizadora passou por dar a conhecer a forma como estas espécies vivem, tornando-as conhecidas do público. Uma missão que se relaciona, como se ouve já no final do documentário, com a sustentabilidade do planeta: “a preservação dos oceanos começa na consciência de que, a cada passo na rocha, podemos ter centenas de espécies debaixo do nosso pé”.