Investigação no mar, desenvolvimento em terra

  

 

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A investigação científica esteve em destaque no quinto dia da Semana Tanto Mar, com o Centro de Investigação CETEMARES, em Peniche, a ser o centro de todas as atividades.

Em 2012, Guilherme Ferreira foi um dos cinquenta participantes da Semana Tanto Mar. Hoje, é investigador do MARE – a unidade de investigação do Politécnico de Leiria para a área das Ciências do Mar. Da sua experiência na academia dedicada ao mar, recorda sobretudo duas atividades: o mergulho nas Berlengas e a recolha de organismos para construção de um aquário.

Na altura, Guilherme Ferreira já tinha optado por por um curso de Biologia Marinha e, “talvez por essa razão”, recorde sobretudo essas experiências que envolvem “um contacto direto com essa área”. De resto, para o investigador, a Semana Tanto Mar “ajudou a confirmar que era mesmo essa a área de interesse”, sendo que permitiu também “aprender muitas outras coisas relevantes a que normalmente não se tem acesso no dia-a-dia”.

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O investigador Guilherme Ferreira participou na Semana Tanto Mar, em 2012

Cinco anos passados, Guilherme Ferreira voltou a participar na Semana Tanto Mar, desta feita conduzindo os participantes numa atividade que pretendeu ilustrar “a importância do plâncton num sistema aquático”. Ao se situarem na base da cadeia alimentar, estes organismos constituem “indicadores ambientais muito relevantes”, permitindo, através da sua análise, diagnosticar o estado de equilíbrio de um ecossistema.

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Esta foi apenas uma das quatro estações de trabalho espalhadas pelo centro de investigação CETEMARES – o Centro de Investigação e Desenvolvimento, Formação e Divulgação do Conhecimento Marítimo. Durante o dia de hoje, os cinquenta participantes passaram por essas quatro atividades, conhecendo, em cada uma delas “o trabalho que é feito nos grupos de investigação e quais as áreas relacionadas”, explicou o docente da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, Paulo Maranhão.

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De resto, conforme explicou Paulo Maranhão na receção aos participantes, a comunicação é uma das principais atribuições presentes na missão deste centro e que se divide em “investigar, aplicar e comunicar”. Já as áreas de atividade passam pela Biologia Marinha, pela Inovação Alimentar e pela Biotecnlogia Azul – uma área “em grande crescimento e que distingue” esta unidade.

Das barritas ao peixe
As quatro estações de atividades deram a conhecer o trabalho realizado, todos os dias, no CETEMARES. Num dos laboratórios, a investigadora Evelise Gonçalves lançou o desafio, assim que os participantes entraram: “vamos fazer umas barrinhas de cereais. E vamos usar um bocadinho de algas”.

As algas liofilizadas são uma fonte de anti-oxidantes e a sua inclusão nas barras de cereais, explicou a investigadora, é uma alternativa “natural para produtos que, normalmente, incluem muitos conservantes e aromatizantes”. A conservação com recurso a algas, reforçou, ao alargar o tempo de vida útil dos alimentos, é uma opção mais sustentável: “ao ser natural, será sempre melhor”.

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Numa das outras estações de trabalho, o trabalho passava por “avaliar o potencial oxidante de diferentes compostos”, explicaram as investigadoras Joana Ribeiro e Rafaela Freitas. Utilizando uma substância que indica esse pontencial, os participantes analisaram algas, vinho branco, vinho tinto e limão. No contexto do trabalho que é realizado pelas investigadoras, este é o passo “mais fácil e básico”, a partir do qual são encontradas as diversas aplicações. Por outro lado, o tema dos anti-oxidantes tem alguma visibilidade na sociedade, sendo, por isso, um assunto próximo dos participantes, acrescentaram.

No laboratório de biologia marinha, o tempo foi dedicado ao estudo da anatomia de um peixe ósseo. Nesta estação de trabalho, os estudantes colocaram as mãos no bisturi e dissecaram alguns espécimenes. O objetivo, explicou Paulo Maranhão, passou por relacionar as características encontradas com “funções como natação ou dos orgãos sensoriais”. Desta forma, acrescentou, os estudantes poderão “perceber um dos grupos vertebrados mais importantes, ao ser o mais numeroso do planeta”.

Por outro lado, estes são animais que são explorados de forma intensiva, sobretudo pelo setor alimentar. “Por essa razão, saber um pouco mais sobre as suas características é importante”, concluiu Paulo Maranhão.

A gala do Mar
Depois de jantar, realizou-se a Gala Tanto Mar, onde as quatro equipas apresentaram as atuações que prepararam durante a semana e que resumiram os pontos altos.

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Na sessão de encerramento, o presidente do Instituto Politécnico de Leiria, Nuno Mangas, destacou “o papel fundamental do trio formado pela Câmara Municipal de Peniche, a Forum Estudante e o Politécnico de Leiria”. A Semana Tanto Mar foi a primeira Academia Forum e esse é um dado que, para Nuno Mangas, “tem um significado especial”. O fundamental desta atividade, concluiu, é poder “dar a conhecer o país de forma diferente e a também divulgar esta região, com todos os seus atributos, onde o mar tem um papel fundamental”.

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Também presente na gala, o presidente da Câmara Municipal de Peniche, António José Correia, recordou o nascimento da Semana Tanto Mar, há mais de sete anos atrás. Ao longo destas oito edições, destacou, “todas as galas são diferentes mas possuem uma coisa em comum: a partilha, a descoberta e a interpretação é enriquecedora para todos nós”.

A fechar mais um dia de atividades, António José Correia deixou um pedido aos participantes: “independentemente daquelas que venham a ser as vossas opções de futuro, valorizem o mar”.