Controlar o dinheiro, para que ele não nos controle

  

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Realizou-se hoje, no Instituto Superior de Gestão (ISG), em Lisboa, nova sessão do projeto Academia Financeira – uma parceria entre o ISG e o MobeyLab que visa educar estudantes do secundário para a área financeira.

O que é a inflação? E a segurança bancária? Como funciona a Bitcoin e as outras criptomoedas? Estas foram algumas das perguntas a que os cerca de 50 estudantes da Escola Secundária de São João Talha encontraram resposta, em mais uma edição da Academia Financeira, no ISG. 

Logo nos primeiros minutos da sessão, a oradora Bárbara Barroso explicou que o objetivo passaria por manter o foco em “ferramentas e aprendizagens” ligadas à área da Economia e Finanças que permitam aos jovens “encontrar o seu próprio caminho”. O objetivo, acrescentou, passou por ajudar os alunos presentes a definir objetivos, elaborar planos de ação reajustáveis, e até a saber investir algum do dinheiro que poupam.

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Bárbara Barroso, do MoneyLab

Para um dos alunos presentes, Carlos Vaz, esta sessão foi “importante para saber lidar melhor com o dinheiro”. O estudante de 15 anos até já tinha pesquisado sobre o assunto em livros e vídeos do Youtube. Mas considera que seria uma boa decisão introduzir esta temática nos programas escolares. “É importante que não entremos às cegas na vida adulta”, reforçou.

A importância da educação
A expressão-chave, várias vezes salientada durante o dia, é “literacia financeira”. Ou seja, o domínio de conceitos chave ligados à gestão, à poupança e ao investimento. Uma aprendizagem que é essencial, destacou Bárbara Barroso, “para que os jovens controlem o dinheiro e evitem que seja o dinheiro a controlá-los”. 

Bárbara Barroso é a fundadora do MoneyLab, a entidade que, em parceria com o ISG, dinamiza estas sessões mensais para estudantes do ensino secundário. A Academia Financeira arrancou no início deste ano letivo e, até junho, é esperado que envolva aproximadamente 1000 alunos.

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Cerca de 50 estudantes do secundário (dos cursos de ciências e tecnologias e ciências socioeconómicas) vieram hoje até ao ISG

Segundo a administradora do Instituto Superior de Gestão, Teresa Damásio, o interesse demonstrado pelas escolas secundárias em participar no projeto evidencia “a lacuna dos programas das Escolas Secundárias, no que diz respeito à literacia financeira”. Uma vertente que, recorda, foi identificada pela OCDE como “fundamental para o desenvolvimento estável da humanidade”. 

Ainda que esta seja uma área muito relevante, ressalva Bárbara Barroso, “por vezes, não lhe é atribuída a devida importância”. Para a especialista, para além da ligação das finanças à Matemática acarretar alguma carga negativa, “o dinheiro ainda é um assunto tabu”. A inclusão desta vertente nos currículos escolares seria, acrescenta, “completamente transformadora”, com impacto, por exemplo, “no nível de sobre-endividamento das famílias”. 

Esta é também uma questão, salienta Teresa Damásio, de “boa cidadania”. “É importante que os jovens não cometam os mesmos erros do passado”, destaca, concluindo: “esses erros tiveram um impacto muito grande na vida dos cidadãos”.

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A administradora do ISG, Teresa Damásio

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