Erasmus+. O programa que coloca a Europa em ação

  

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Foi em 1987 que nasceu o Erasmus – à data, um programa que visava a mobilidade de estudantes universitários. Desde então, em trinta anos de existência, o Erasmus cresceu. Hoje, envolve formação, voluntariado e desporto. Conhece o “mais” que há em Erasmus+.

Em 1495, Erasmo de Roterdão recebeu a autorização para estudar na Universidade de Paris. No virar do século, seguiu-se uma mudança para Inglaterra, fixando-se na Universidade de Cambridge. Em 1506, nova paragem: Erasmo doutorava-se pela Universidade de Turim. 

Este espírito de itinerância académica viria a fazer parte da vida de milhões de estudantes, muitos anos depois. Mais de quatro séculos passados, o nome de Erasmo é hoje associado a um dos mais conhecidos programas de mobilidade de estudantes universitários do Mundo – o programa Erasmus.

Tudo começa a 15 de junho de 1987. É nesse dia que é publicada a decisão da Comissão Europeia que cria oficialmente o Erasmus. No ano letivo seguinte, 3244 estudantes de 11 países diferentes – entre os quais se incluía Portugal – tiveram a oportunidade de participar numa experiência de mobilidade.

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Nós Europeus
O desenho do programa baseou-se em experiências piloto que eram já financiadas pela Comissão, entre 1981 e 1986. Depois de alguns acertos quando ao modelo de financiamento entre estados membros, o programa seria mesmo implementado a partir de 1 de julho de 1987.

O diploma que funda o programa Erasmus refere alguns objetivos principais. Desde logo, a promoção de uma cooperação “alargada e intensiva entre as universidades de todos os Estados-Membros”, o aumento “significativo do número de estudantes” nas instituições de ensino superior e ainda a “melhoria da qualidade da educação e formação” europeia.

Um dos pontos fundamentais, contudo, merece, por si só, uma alínea: “o fortalecimento das interações entre cidadãos de diferentes Estados-Membros, tendo em vista a consolidação de uma Europa dos Povos”.

Crescer em vários sentidos
Desde a sua adoção, em 1987, o número pessoas envolvidas cresceu. E muito. Se o grupo inicial de estudantes era composto por pouco mais de 3000 estudantes, atualmente, trinta anos depois, estima-se que 9 milhões de pessoas já tenham participado neste programa.

Contudo, o crescimento do programa não se mede apenas no aumento do número de participantes. Ao longo dos anos, aumentou também a diversidade da sua oferta. Hoje, o Erasmus é mais do que uma experiência de mobilidade no Ensino Superior.

Em 1997, por exemplo, professores e funcionários passaram também a poder contar com uma experiência de mobilidade. 10 anos depois, foram introduzidos estágios curriculares. Por volta da mesma altura, estabeleceram-se novos cursos e projetos de cooperação internacional. Em 2014, seria a vez do voluntariado integrar o mundo Erasmus+, através do Serviço de Voluntariado Europeu.

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Erasmus+ ou mais Erasmus
Face a esta evolução, o que integra, hoje em dia, o Erasmus+? Desde 2014, altura em que entrou em vigor o programa corrente, este universo define-se como o programa da União Europeia para a educação, formação, juventude e desporto.

Para além do ensino superior, presente desde o início, o Erasmus+ contempla e financia ações em campos como a formação profissional, a educação de adultos, o ensino escolar, atividades para jovens, voluntariado e desporto. O portal do programa define a atividade do mesmo como o desenho de oportunidade para qualquer Europeu “estudar, estagiar, ganhar experiência e voluntariar no estrangeiro”.

Por essa razão, atualmente, o Erasmus+ envolve mais do que apenas estudantes do ensino superior: funcionários, professores, estagiários, voluntários ou empresários são alguns dos exemplos de profissionais que integram programas, ao abrigo das várias modalidades.

A lógica é a de aprendizagem ao longo da vida, ou seja, o entendimento de que a educação e formação devem estar presentes ao longo de todo o percurso pessoal e profissional dos cidadãos, e não apenas durante o ensino obrigatório ou superior.

Em comum, esclarece a Comissão Europeia, todas a oferta Erasmus+ tem como objetivo aumentar o nível de competências dos cidadãos europeus, fortalecer a ligação da educação e formação ao mercado de trabalho e fomentar a cooperação internacional, criando um espaço europeu de aprendizagem.

“+” do que individual
Outro dos âmbitos em que o Erasmus+ evoluiu diz respeito à possibilidade de participação de organizações. Os benefícios da participação para as instituições, salienta a Comissão Europeia, incluem “uma maior capacidade para operar a um nível internacional”, “melhores métodos de gestão” ou “acesso a oportunidades de financiamento”.

Nesse sentido, o número de projetos de cooperação tem aumentado, sendo que, atualmente, são financiadas mais de 25 mil parcerias que envolvem cerca de 125 mil organizações e empresas. Neste âmbito, destacam-se os cerca de 1200 projetos desportivos que promovem, realça a mesma fonte, “inclusão social, combate ao racismo e a atividade física para todos”.

As mudanças que o Erasmus+ trouxe são também percetíveis nos números gerais. O programa que iniciou em 2014 representou uma subida de 40% no financiamento, em comparação com o quadro anterior. No total, serão disponibilizados 14,7 mil milhões de euros, ao longo de sete anos.

Para este ciclo de financiamento, a Comissão Europeia destaca ainda “o foco mais forte na melhoria das perspetiva de emprego jovem”. Por outro lado, uma das preocupações mais recentes é garantir que esta opção seja acessível a todos. “Este é um programa mais inclusivo que apoia as pessoas com menos oportunidades”, conclui.