Ready Player One: Entre o real e o virtual

  

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O novo filme de Steven Spielberg chega aos cinemas no final de março. Baseado no romance de Ernest Cline, a película segue a aventura virtual de Wade Watts – um herói inserido numa geração de jovens que se sente "desiludida com a realidade".

No mundo de Wade Watts, há muitas razões que levam à "fuga" para a realidade virtual. O ano é 2045 e as alterações climáticas trouxeram o caos: fome, doenças, guerra e pobreza. Em resultado, a geração do protagonista de Ready Player One sente-se "desiludida pela realidade". A única coisa que torna a vida suportável é o OASIS – uma espécie de MMORPG gigante ou um mundo de realidade virtual partilhado por utilizadores a uma escala global.

O OASIS assume assim um papel de "substituto da realidade" e os seus utilizadores fazem a sua vida no âmbito desta rede. Wade, por exemplo, vai às aulas dentro da simulação. Tudo muda quando o criador deste sistema revela a existência de um "tesouro escondido" (um Easter Egg) dentro do jogo. O primeiro a encontrar este tesouro, herdará uma fortuna e terá o controlo sobre toda a simulação. Assim começa a aventura de Wade, que vê neste easter egg "uma passagem para uma realidade melhor".

O nome "Ready Player One" é uma homenagem à mensagem que surgia nas antigas máquinas de arcade. De resto, ainda que passado num cenário futurista, o filme de Spielberg distingue-se pelas constantes referências ao passado, nomeadamente à década de 1980. No poster oficial de divulgação do filme, encontramos o icónico DeLorean de Regresso ao Futuro. A ligação está também presente no romance com o mesmo nome em que se baseia o filme. Publicado em 2011, por Ernest Cline, Ready Player One integra muitas referências à década de 80, nomeadamente a videojogos ou filmes. Uma das críticas do livro, publicada pelo New York Times, fala mesmo num "futuro embrulhado na cultura dos anos 80".

O resultado, explica Daniel Krupa, no The Guardian, é uma visão diferente sobre a realidade virtual. Se em filmes como o The Matrix ela é uma "prisão sensorial", em Ready Player One o mundo virtual é apresentado como a uma forma de conexão social. "Wade não escapa para o mundo virtual por egoísmo", afirma, concluindo: "mas sim porque o mundo já não lhe oferece a interação social que deseja".