Expedição: impacto da indústria mineira na biodiversidade

  

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Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) entre a equipa que fez a primeira caraterização da biodiversidade numa das regiões mais remotas do planeta.

 A zona de fratura de Clarion-Cliipperton (CCZ), no Pacífico oriental, é também um dos depósitos de nódulos polimetálicos, ricos em metais de grande interesse comercial, mais apetecíveis como alvo da indústria da mineração, uma informação dada pela UA.

Por forma a prever potenciais impactos ambientais decorrentes da atividade mineira, uma equipa internacional de cientistas, que integrou a bióloga da UA, Ana Hilário e Pedro Ribeiro, da Universidade dos Açores, deslocou-se à CCZ e fez aquela que foi a primeira caraterização da biodiversidade local.

O resultado da expedição foi publicado na revista Scientific Reports, onde os cientistas alertam para a necessidade de uma planificação cuidadosa ao nível das estratégias para conservação da biodiversidade vivente nessa área do Pacífico.

Apesar desta ser uma das regiões mais remotas do planeta, tem sido alvo do interesse da indústria mineira, pelos depósitos ricos em metais, encontrados a profundidades abissais. Uma outra questão é que pouco se sabe sobre o funcionamento do ecossistema presente e da sua biodiversidade, daí a importância desta expedição.

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Por isto, entre março e abril de 2015, a bordo do navio de investigação, Sonne, seguiu a missão científica EcoResponse rumo à CCZ. Liderada pelo Instituto Senckenberg, a expedição contou com a presença de 40 investigadores de 11 nacionalidades. Foi assim possível percorrer quatro áreas licenciadas para exploração mineral e ainda, uma área protegida.

O artigo agora publicado mostra que os depósitos polimetálicos existentes nessa região constituem hotspots de abundância e diversidade de uma fauna abissal extremamente vulnerável.

O estudo permitiu ainda, pela primeira vez, reunir dados ecológicos sobre a área protegida. E, neste sentido, reporta os fortes impactos e baixa capacidade de recuperação da fauna, sendo que os impactos da mineração nas zonas abissais poderão ser altamente duradouros e até permanentes, informa a UA.

A campanha foi coordenada pelo Instituto Senckenberg am Meer e é parte do programa JPI Oceans - Ecological Aspects of Deep-Sea Mining, coordenado pelo GEOMAR Helmholtz Centre for Ocean Research Kiel.

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