As pesquisas mais improváveis também ganham prémios

  

ignobil

O outono traz consigo os reputados prémios Nobel mas também o seu "parente" estapafúrdio, o IgNobel, que elege as descobertas científicas mais estranhas do ano. Tratam-se de estudos e experiências que «primeiro fazem as pessoas rir e depois pensar». Aguenta, não comeces já...

IgNobel é um trocadilho entre o apelido do cientista sueco que instituiu o célebre troféu científico e o adjetivo "ignóbil", que define "vil, desprezível, infame ou vergonhoso". Fundados há 28 anos pela revista de humor científico Annals of Improbable Research (Anais da Pesquisa Improvável), estes prémios que também são atribuídos no outono visam distinguir pesquisas inéditas e insólitas, sem grande utilidade.

Todos os anos há uma gala de entrega dos galardões, na Universidade de Harvard, nos EUA, com a presença de verdadeiros laureados Nobel que sobem ao palco para anunciar os seus homólogos IgNobel. Desde 1996 há uma espécie de mini-ópera que junta as vozes de cantores profissionais e eruditos. Este ano a festa – sob o tema do Coração – realizou-se a 13 de setembro e os vencedores nas 10 categorias foram convidados a explicar os seus estudos em duas ocasiões: numa descrição integral técnica com 24 segundos de duração, e em apenas 7 palavras, que todos pudessem entender.

Não há lista de nomeados porque, em muitos anos, não é raro que os candidatos cheguem aos 9000, e também porque o IgNobel só é efetivamente entregue e anunciado quando o visado aceita o prémio. Caso recuse tal honra, o seu feito e privacidade permanecem em segredo, e é eleito um novo vencedor.

O cientista russo Andre Geim foi o único que bisou nos dois universos: em 2000 recebeu um IgNobel mas, uma década depois, arrebatou o Nobel da Física. Entre os laureados de 2018 há portugueses:


QUÍMICA — Paula Romão, Adília Alarcão e o falecido César Viana estudaram a "Saliva humana como agente de limpeza de superfícies sujas".
MEDICINA — O efeito das voltas numa montanha-russa na velocidade de expulsão de pedras nos rins
ANTROPOLOGIA — Estudo da imitação espontânea entre espécies na interação entre chimpanzés e visitantes de um Zoo
BIOLOGIA — Especialistas em vinhos conseguem identificar a presença de uma mosca num copo de vinho só pelo cheiro
EDUCAÇÃO MÉDICA — "Colonoscopia na posição sentada: Lições aprendidas das Auto-Colonoscopia."
LITERATURA — "A Vida é Muito Curta para Ler a **** do Manual: Como os Usuários se Relacionam com a Documentação em Excesso dos Produtos"
NUTRIÇÃO — Cálculo da Importância Calórica de uma dieta canibal face a outras dietas baseadas em carnes.
PAZ — "Gritar e praguejar enquanto se conduz: frequência, razões, risco e castigo"
MEDICINA REPRODUTIVA — "Monitorização da Tumescência Peniana Noturna com Selos"
ECONOMIA – Análise da eficácia dos bonecos de vodu na retaliação dos funcionários face a patrões abusivos