Preservar o passado, semeando o futuro

  

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Com 129 anos de história, a Escola Superior Agrária de Santarém situa-se na “região agrícola mais importante do país”, sublinha o seu diretor, José Potes. Mantendo o espírito que caracteriza a instituição, a ESAS desempenha também um papel fundamental perante o novo contexto do sector agrícola, acrescenta.

 

“Há um espírito da ESAS criado ao longo de décadas de existência”, começa por salientar, José Potes. A fundação da Escola Superior Agrária de Santarém remonta ao ano de 1888 e, durante os anos seguintes, a escola sempre se destacou por colocar os estudantes “em proximidade aos sistemas de produção agrícola”, acrescenta.

Hoje, destaca o diretor, a ESAS mantém presente esta preocupação: “é essa a nossa herança e a missão que prosseguimos”, sublinhando que a instituição deve funcionar como uma ponte entre o conhecimento e a sua transmissão.

Como prova desta preservação, José Potes recorda o “espírito Charrua” – a alcunha que é, ainda hoje, atribuída aos estudantes da ESAS – como sendo uma presença enraizada “nos alunos, antigos alunos e na região”. Tudo isto antes de recordar aquele que é o lema, ainda hoje ecoado pelos alunos: “ao alto, ao alto, Charrua”.


Apresentação vídeo da ESAS (Fonte: Canal do Youtube - Ana Grão)

Do passado para o futuro
Contudo, a missão da ESAS está longe de se resumir à mera preservação do passado. Como relembra José Potes, numa época marcada por uma evolução tecnológica muito grande no sector, existe “a exigência de conhecimento técnico e científico atualizado às novas realidades”.

Por essa razão, explica, a ESAS desenvolve projetos de investigação em várias áreas que, em comum, procuram “aumentar a produtividade de forma cada vez mais eficiente e sustentável do ponto de vista ambiental”. Como tal, a investigação da ESAS abrange todo o ciclo – “da semente até ao consumidor final” – e abrange áreas como a vitivinicultura, produção animal ou o sector agro-transformador.

De resto, para José Potes, a ideia de uma agricultura de subsistência, técnica e tecnologicamente limitada, é uma visão já ultrapassada: “a grande maioria das pessoas tem a noção que o conhecimento e a tecnologia são uma realidade na agricultura”. Nessa consciencialização, acrescenta, o facto de “a agricultura ter sido o sector com mais impacto na recuperação económica do país” pode ter desempenhado um papel fundamental.

A riqueza da região
No prosseguimento da sua missão, a ESAS conta com uma mais-valia, considera o seu diretor: “estamos inseridos na região agrícola mais importante do país”. Este detalhe permite também manter a ligação com uma grande diversidade de realidades e sectores, acrescenta, reforçando: “existe o contacto com todos os sistemas

Com 129 anos de história, a Escola Superior Agrária de Santarém situa-se na “região agrícola mais importante do país”, sublinha o seu diretor, José Potes. Mantendo o espírito que caracteriza a instituição, a ESAS desempenha também um papel fundamental perante o novo contexto do sector agrícola, acrescenta.

José Potes, Diretor da Escola Superior Agrária de Santarém, do Politécnico de Santarém  agrícolas e de agrotransformação”.

De resto, a riqueza da região fica patente também no grande número de empresas do sector e que, cada vez mais, procuram conhecimento técnico atualizado, acrescenta. Esta combinação, resulta numa “elevada empregabilidade” e em muitos diplomados da ESAS “integrados em empresas bem cotadas”.

Na sua missão, acrescenta, a ESAS reconhece muita importância em “mostrar o que se faz, preservando uma abertura ao exterior”, uma vez que, sobretudo nos centros urbanos, “existe alguma falta de informação sobre o que é a agricultura, hoje em dia”. “Muitos jovens perderam o contacto com a realidade agrícola e, não tendo essa informação, não a procuram”, salienta José Potes.

Por essa razão, é também papel das escolas agrícolas mostrar que “um agricultor é um empresário como qualquer outro, simplesmente, muitas vezes, com melhor qualidade de vida”.

Ainda assim, José Potes sente que começa a haver uma maior procura por um tipo de vida que o sector agrícola permite e que os jovens estão a redescobrir. “Ter esse conhecimento pode ser um primeiro passo para que as novas gerações voltem a encontrar o sector, conhecendo a sua riqueza e a sua qualidade de vida”, conclui.

 

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