“No Ensino Superior, um jovem torna-se mais apto a lidar com o que é diferente”

  

IMG 5509 

A administradora do Instituto Superior de Gestão | Business & Economics School, Teresa do Rosário Damásio, explicou à FORUM as principais linhas de modernização do Ensino Superior em Portugal. Realçando o posicionamento das Instituições de Ensino Superior enquanto entidades de serviço público, a administradora do ISG destacou ainda o papel deste tipo de ensino no desenvolvimento profissional e pessoal dos estudantes.

Ainda existe o lugar-comum “para que é que vou estudar, se vou ficar desempregado”. De que forma é que se pode combater essa ideia junto dos jovens?
Essa é uma ideia que se deve combater, em primeiro lugar, porque todo o ser humano tem o direito – previsto na Declaração Universal dos Direitos do Homem – de ter acesso ao conhecimento, ao longo da sua vida. E, hoje em dia, a vida ativa tem vindo a acompanhar a vida humana, sendo também esta cada vez mais longa. Portanto, as instituições de ensino superior têm de se ir adaptando, têm de se modernizar em vários vértices: em primeiro lugar, através da atualização permanente do seu plano curricular e de um corpo docente que tenha, cada vez mais, um capital humano muito desenvolvido. No Instituto Superior de Gestão, por exemplo, praticamente todos os professores são doutorados e isso é muito importante. Por outro lado, esta atualização curricular tem de estar sempre em linha, tanto com a investigação corrente, como com as competências que as empresas pretendem ver nos seus futuros trabalhadores.


Que outros vértices deve seguir esta modernização?
Por outro lado, devemos globalizar a instituição. No ISG, 26% dos alunos são internacionais e queremos alcançar os 50%. Se não nos tornarmos uma instituição global e internacional, não vale a pena estarmos abertos. Uma instituição de ensino superior tem de perceber muito bem, na sua missão e nos seus valores, qual o papel que tem na comunidade, na sociedade, no país, no continente e no globo. Devemos potenciar as nossas mais-valias enquanto país, para aumentar as competências dos nossos cidadãos. Esse deve ser o papel central que cada instituição deve ter – estar em serviço público ao país.


O Ensino Superior é muito mais do que um investimento na vida profissional. O que é que um jovem ganha ao escolher o Ensino Superior?
Ganha competências pessoais e valoriza-se, do ponto de vista da multiculturalidade e diversidade. Torna-se mais apto para lidar com o que é diferente. Numa instituição global como queremos que o ISG seja – e já o somos em 26% – os nossos alunos contactam com pessoas diferentes todos os dias. Isso é muito importante: ao sair da zona de conforto, cresço e potencio as minhas competências técnicas, ao ficar desperto para coisas que não tinha curiosidade.


Sente que, ao longo dos últimos anos, as instituições de ensino superior têm aberto as suas portas à sociedade civil?
Penso que sim. Nós, no ISG, temo-lo feito. E isso é fulcral: podemos ser a melhor instituição, com os melhores professores, os melhores alunos e viver dentro de um castelo. E não podemos viver dentro de uma fortaleza – temos de viver absolutamente abertos. Há 10 anos atrás, isto nem sequer era possível. As empresas, por exemplo, achavam horrível ter um estagiário, por ter de o ensinar. Hoje em dia, uma boa empresa quer um estagiário para transmitir o conhecimento e porque esse estagiário vem de uma instituição com a qual existe um protocolo. Hoje em dia, há orientadores pedagógicos, orientadores na empresa, há um plano de trabalho, avaliação… Atualmente, adquirimos um grau de profissionalismo que exige excelência.


Relativamente às áreas ministradas pelo Instituto Superior de Gestão, o que é que um jovem pode esperar como mais-valia, ao prosseguir os seus estudos nestas áreas?
No ISG temos cursos nas áreas da Gestão, Economia, Marketing e Potencial Humano. As pessoas que vêm para estas áreas têm a claramente a possibilidade de exercer um conjunto muito vasto de funções, no setor público, privado, social e em organismos internacionais. De resto, vamos começar a lecionar muitos dos nossos cursos em língua inglesa. Isso é muitíssimo importante. Um aluno que faça o seu curso em língua inglesa está automaticamente preparado para o mercado global.


E o que é que estas áreas continuam a ter de atrativo para os jovens?
Em Portugal, ainda continua a ser importante a questão: “qual é o curso do Primeiro-Ministro, do Presidente da República, das chamadas figuras públicas?”. E há muitas dessas pessoas formadas na área de Gestão. Há uma perceção pública de que quem tira o curso de Gestão vai ganhar muito dinheiro. Na Economia, por exemplo, isso funciona como um estigma, porque pensam que se ganha pouco. O que é errado, obviamente. Pelo menos, para o bom aluno, com boas competências e que sabe perspetivar a sua carreira. Tem de existir confiança na Educação. Isso é algo fundamental para a sociedade se desenvolver. E este não é um discurso utópico porque fazemos isto nas nossas instituições. É possível trabalhar. Não se pode dizer à partida, “não é possível”. Simplesmente, tudo tem de ser delineado. A Educação é das áreas com maior responsabilidade – estamos aqui a formar pessoas. Não pode ser percecionada como algo simples: é difícil e temos de estabelecer constantemente níveis mais elevados – temos de nos atualizar e impor metas a nós próprios.