Há 40 anos o senhor João ia à Celtejo entregar madeira, mas hoje a matéria-prima que este carismático motorista transportava era bem diferente: os 50 participantes da 1.ª edição da Academia da Energia. Logo pela manhã este projeto da Forum Estudante e da Adene, com o apoio do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), rumou a Vila Velha de Rodão para conhecer as instalações, os recursos humanos e a filosofia desta empresa que tanto emprego gera no interior do País.

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Uma vez que esta semana de atividades é «centrada em ideias-chave como a sustentabilidade e o respeito pelo ambiente» e nela os participantes podem conhecer as melhores técnicas de Eficiência Energética, fez todo o sentido que estes jovens começassem este dia de "aulas ao vivo" pela Celtejo, «uma empresa com quase 50 anos de conhecimento e experiência na produção de pasta de papel», que procura estar na vanguarda tecnológica, dando simultaneamente privilégio à sustentabilidade económica e à preservação ambiental.

Foi isso mesmo que o Engenheiro João Martins referiu sobre a companhia que exporta 95% da sua produção. Por lá, 80% da energia consumida é renovável e nos últimos 4 anos registou-se um decréscimo de 40% no consumo de água. Estes são apenas alguns dos números e estatísticas impressionantes avançados ao grupo de rapazes e raparigas, pois que «o importante nesta visita é extrair algum conhecimento que suscite curiosidade», avisou o representante da Celtejo. A importância da Biomassa – a matéria orgânica de origem vegetal ou animal usada com a finalidade de produzir energia, que neste caso é a própria madeira – foi outros dos segredos do negócio revelados. A manhã não terminaria sem um passeio pelas instalações, nomeadamente para apreciar a gigantesca caldeira. Caso para dizer, "quanto mais quente melhor", como na comédia com Marilyn Monroe.

Um sonho a germinar
Uma vez que esta semana tem «um programa lúdico-pedagógico com caráter dinâmico», nas palavras do IPCB, a tarde começou com uma viagem no tempo. Depois do Futuro da indústria, como que demos um salto ao Passado e fomos conhecer o Centro de Interpretação de Arte Rupestre e a Sala de Arqueologia em Vila Velha de Ródão. 

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É precisamente nesse concelho que cresce, desde 2013, a Comunidade Sustentável do Vale da Sarvinda, a paragem seguinte da comitiva conduzida pelo senhor João. Este projeto «pretende criar riqueza e bem-estar através de sistemas de produção agrícola em modo biológico, respeitando os princípios da permacultura – gerindo de forma sustentável os recursos empregues, incluindo energia e água – nas diversas atividades a que nos propomos: agricultura, turismo rural, atividades de ar livre e formação», lê-se no site oficial.

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«Queremos fechar ciclos – conseguir autonomia financeira, autonomia alimentar, gerar mais energia do que a consumida, tratar resíduos produzidos – mostrando que a sustentabilidade não é a realidade necessária e possível», explica-se ainda. De viva voz, Luís Pires, um dos dois fundadores desta comunidade, contou em detalhe como foram construídos os edifícios do espaço, desde o restaurante, os balneários, os dormitórios ou os chafurdões, uma espécie de iglo que presta homenagem às antigas casas dos lusitanos e que foram construídos em hiperadobe com materiais recolhidos no local. Sacas de batatas, cortiça e blocos de palha foram outros dos materiais adotados em nome da eficiência energética nas habitações desta comunidade sita em pleno Parque Natural do Tejo Internacional. A propriedade confina com o rio Ponsul e compreende 130 hectares, a maioria dos quais em regime de proteção. Agora é só esperar que os aspetos burocráticos sejam diligenciados para dar a conhecer ao mundo este espaço. Estes 50 estudantes - e tu que leste esta sua aventura - ao menos já sabem do que se trata.

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