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O terceiro dia da IPStartupWeek começou por trazer um desafio empreendedor: criar ideias e torná-las realidade. Depois, o foco esteve na sustentabilidade ambiental.

A t-shirt criada pela equipa branca faz com que quem a vista ganhe parte de um corpo de robô. Em específico, um tronco robótico. "Escolhemos que a cabeça humana completasse o desenho, para mostrar que, mesmo numa área tecnológica, as ideias partem de nós", explica a estudante Carolina Bargado, de 15 anos. "É para nos lembrarmos que também somos uma máquina", reforça, a seu lado, uma sorridente Joana Ribeiro. 

A proposta deste grupo de estudantes inseriu-se na primeira das atividades do terceiro dia de IPStartupWeek – o EmpreendeLab. O desafio colocado consistiu na criação de uma marca e respetiva imagem para alguns dos laboratórios da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal. A ideia original seria depois transposta para uma t-shirt.

Para cumprir esta tarefa, os estudantes procuraram comunicar as principais características e valências dos laboratórios de Mecânica, de Instrumentação, Automação e Robótica, de Mobilidade Elétrica e de Química Ambiente. Por essa razão, a manhã incluiu a visita a estes espaços, com algumas atividades planeadas, de forma a encontrar os principais elementos a comunicar. Nessa medida, realçou a docente Rossana Santos, este exercício serviu também para "conhecer o trabalho realizado nesta escola".

 

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Como tal, a equipa branca visitou o Laboratório de Instrumentação, Automação e Robótica. "O que mais nos impressionou foi a presença das máquinas e, por isso, decidimos adaptar a ideia do corpo de robô", conta o estudante Francisco Santos. "E o responsável que nos acompanhou salientou que, por trás de cada sensor, por exemplo, existe sempre um cérebro", completa Carolina Bargado. Foi desta imagem que surgiu a ideia central para a t-shirt desta equipa.

Para o estudante David Abreu, de 17 anos, a atividade desta manhã é "uma boa ideia", uma vez que "potencia o leque criativo e mostra como o empreendedorismo pode ser aplicado a qualquer área em específico". No caso de hoje, o desafio colocado aos estudantes centrou-se em laboratórios de várias áreas do saber. "Isso mostra como o empreendedorismo poderá ser importante em qualquer que seja a área de interesse de um estudante, seja Saúde, Desporto, etc...", conclui o participante.  

 

O que é empreender?

Antes, no acolhimento aos participantes, o docente do Politécnico de Setúbal, Fernando Valente procurou, numa pequena palestra, "esclarecer o que é o empreendedorismo e quais os elementos essenciais do seu processo". Ainda que "não exista uma definição consensual de empreendedorismo", ressalvou, o objetivo passou por permitir aos estudantes "criar uma noção pessoal do conceito".

Decisivo, para Fernando Valente, está a ligação de criatividade e pragmatismo. "A inovação é fundamental, pela capacidade de trazer algo diferente, tal como é a ação, uma vez que a ideia tem de ser colocada em prática", salientou, antes de reforçar: "O empreendedor é aquele que concretiza, aquele que faz".

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Tal como no exercício proposto hoje aos estudantes, o empreendedor não tem, por defeito, "tudo à sua disposição". Por essa razão, a chave "passa por criar os recursos existentes de forma criativa", destacou Fernando Valente. Como tal, dimensões como a capacidade de pensar fora da caixa, a identificação de oportunidades ou a propensão para arriscar poderão fazer a diferença, acrescentou.

O docente do IPS procurou ainda, na sua intervenção, "desconstruir alguns mitos sobre empreendedorismo". Desde logo, destacou, um dos principais prende-se como a noção de que "se nasce empreendedor", uma vez que uma parte significativa da atitude empreendedora se relaciona com o contexto, a experiência e atitude. "À imagem do artista ou do desportista, por exemplo", ilustrou.

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Depois de feitas as camisolas, as equipas apresentaram o produto. No final, a vitória foi conquistada pela equipa vermelha

Colocar mãos à rede

Inês Santos tinha 17 anos quando, depois de ir à Festa de Tróia, encontrou um grupo de voluntários que recolhia lixo junto ao recinto do evento. Foi dessa forma que contactou, pela primeira vez, com o trabalho da Ocean Alive – uma organização não-governamental comprometida com a proteção dos oceanos. “A partir daí, a minha maneira de pensar mudou muito”, conta.

Hoje, cerca de dois anos depois, Inês apresentou-se aos participantes da IPStartupWeek como uma das “Guardiãs do Mar”: um grupo de 15 mulheres da comunidade piscatória do estuário do Sado que colabora com a Ocean Alive na proteção da natureza marinha. Uma natureza que é impactada diretamente pelos rios. A ligação com o rio Sado é sublinhada pela guardiã de 19 anos: “eu cresci no rio, com os meus pais, com os meus avós”. Para Inês, o Sado não é uma mera segunda casa – é mesmo “como se fosse a primeira”.

Foi Inês que recebeu os participantes do IPStartupWeek, para a atividade que encerrou o dia de atividades. Divididos em grupos, junto à Escola Superior de Educação do IPS, os estudantes separaram redes apanhadas no rio Sado, retirando os plásticos nelas contidos e cortando os chumbos presentes em algumas. Através de recolhas como esta, a Ocean Alive impede que os plásticos cheguem ao Oceano Atlântico, prevenindo a contaminação da vida marinha. 

 

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“Espero que estes estudantes se sintam como eu me senti quando conheci o trabalho da Ocean Alive”, sublinhou a guardiã. Através do contacto direto com lixo que foi retirado do Sado, espera que os participantes “levem com eles o problema que o lixo representa e a importância da vida marinha”.

Ainda sobre a dimensão do problema, Inês ilustra com um número. Na última segunda-feira, a Ocean Alive, em parceria com trabalhadores da L'Óreal, recolheu lixo nas praias da região. No total, no final de duas horas e meia de trabalho, 65 pessoas apanharam 850 quilos de lixo. Esta é apenas uma amostra, realça Inês Santos. Ser Guardiã do Mar é  “trabalhar para um futuro melhor para todos nós”.

 

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Inês Santos tem 19 anos e é uma das 15 "Guardiãs do Mar": o grupo de mulheres da comunidade piscatória do estuário do Sado que colabora com a Ocean Alive

 

Conversa com bom Ambiente

A bióloga marinha Sílvia Tavares percebeu, a certa altura, que não queria "fazer apenas trabalho de laboratório". Foi depois de compreender que pretendia impactar a sua comunidade e o Mundo que decidiu trabalhar a tempo inteiro na Ocean Alive. Hoje, depois de jantar, a bióloga teve uma conversa de cerca de uma hora com os participantes da IPStartupWeek, que passou pela missão e ação da Ocean Alive, na proteção dos ecossistemas marinhos, mas também por temas como Educação Ambiental e sustentabilidade.

"Gostava que levassem convosco, depois desta conversa, uma reflexão: o que podemos fazer para, de alguma forma, mudar o Mundo?", sublinhou Sílvia Tavares. Foi, de resto, esse o pensamento que a levou até à Ocean Alive, trabalhando hoje com a comunidade piscatória de Setúbal e com a comunidade científica, na proteção dos oceanos e da vida que o habita. Durante o diálogo com os estudantes, Sílvia Tavares agradeceu ainda o trabalho realizado hoje pelos 50 estudantes, durante o final de tarde de hoje. "Ainda vamos medir o peso do lixo que separaram, mas sabemos que foram pelo menos 50 quilos de redes", revelou. 

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A conversa passou também pelos passos que poderão ser dados para a inversão dos comportamentos ambientalmente irresponsáveis, face aos hábitos de consumo atuais. "Temos todos de mudar, juntos", realçou Sílvia Tavares, rejeitando a ideia de que se deva "colocar o peso todo o peso em cima dos ombros dos mais jovens". De igual forma, a reflexão passou pela importância da ação política, coletiva e individual, nomeadamente sobre os comportamentos que poderão ser adoptados. A bióloga marinha recordou ainda as duas greves climáticas estudantis de 2019, deixando uma certeza, dirigindo-se aos estudantes: "A vossa geração está a criar uma mudança e sabe que essa mudança vem de dentro".

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