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Assinalam-se hoje 30 anos sobre o massacre de Tiananmen, em Pequim, um dos momentos emblemáticos da ação estudantil. Ao longo da História, os estudantes tomaram várias vezes um papel ativo na mudança política ou social. Conhece alguns deles, em Portugal e no Mundo.

Maio de 68, 1968

O movimento que colocou, a certa altura, em greve mais de 10 milhões de franceses, começou com uma revolta dos estudantes. Tudo começa quando os estudantes da Universidade de Nanterre protestam por uma maior abertura da instituição. Em Maio de 1968, o Reitor decide encerrar a Universidade.

Os protestos passam assim para a Universidade de Sorbonne. Mais uma vez, a universidade é encerrada. A violência da reação policial e as detenções efetuadas, levaram a que, no dia 10 de maio, os estudantes exigissem a reabertura do campus e a libertação dos estudantes detidos.

Nessa noite, cerca de 40 mil estudantes entram em confronto com a polícia, numa batalha que continuaria até ao amanhecer – a “Noite das Barricadas”. A partir daqui o movimento ultrapassou o âmbito dos estudantes: milhões de trabalhadores entravam em greve e alguns ocupavam as suas fábricas.

O movimento só perderia força depois do Presidente Francês, Charles de Gaulle, vencer as eleições antecipadas que havia convocado. Contudo, segundo as palavras de Peter Steinfels, publicadas no The New York Times, a memória de 1968 não se extinguiu: “não se apontava à perfeição humana, apenas se imaginava que a vida poderia ser diferente e bastante melhor”.

 

Crise Académica, 1969

A 17 de abril de 1969, foi inaugurado o Edifício das Matemáticas, na Universidade de Coimbra. Na véspera, o reitor negou o pedido dos estudantes para ter a palavra durante a cerimónia.  

Durante a inauguração, o presidente da Associação Académica de Coimbra, Alberto Martins dirige-se ao Presidente da República, Américo Thomaz: “em nome de todos os estudantes da Universidade de Coimbra, peço para usar da palavra”. Vendo o seu pedido ignorado, Alberto Martins sobe para uma cadeira e faz o seu próprio discurso, oferecendo a palavra a outros estudantes.

Nessa noite, sete agentes da PIDE detêm Alberto Martins. Um grupo de estudantes exige a sua libertação e é carregado pela polícia. Cinco dias depois, é decretado o Luto Académico.

Estava assim aberta a crise académica de 1969 – um período que se alargaria pelo restante ano e que incluiria greves estudantis, um cerco da GNR à universidade e o aumento da chamada de estudantes para a Guerra Colonial. No início do ano seguinte, o Ministro da Educação, José Hermano Saraiva, seria substituído.

 

Praça Tiananmen, 1989

A 18 de abril de 1989, este foi o local escolhido pelos estudantes para se manifestarem, reclamando uma abertura democrática no governo chinês. Durante as semanas seguintes, milhares de pessoas juntaram-se aos protestos que se alongaram durante todo o mês de maio.

A 4 de junho, por volta da uma da manhã, as tropas chinesas chegam à Praça Tiananmen. Durante o dia, são disparadas balas na direção dos estudantes e cidadãos presentes, sendo que nunca foi publicada uma contagem de vítimas mortais oficial. Como recordava o New York Times, dez anos depois, “sem informação sólida, os jornalistas que escrevem sobre o evento utilizam a mesma frase: ‘centenas, talvez milhares’ foram assassinados”.

A imagem mais icónica de Tiananmen mostra um manifestante que, sozinho, corta o caminho a uma coluna de tanques. O autor Ma Jian esteve presente nos protestos e classificou-os, no jornal The Guardian, como “um momento definidor da [sua] geração”, destacando “a nobreza das suas aspirações e o poder do seu legado”.

 

Revolução de Veludo, 1989

Havel-1989

A 17 de novembro de 1989, em Praga, um grupo de 15 mil estudantes manifestou-se de forma pacífica, homenageando Jan Opletal (estudante assassinado pelo exército Nazi em 1939). De acordo com o relato da Rádio Praha, os manifestantes não cumpriram as ordens do governo comunista, continuando a marcha até ao centro da cidade e censurando as políticas em questão.

A manifestação seria então reprimida violentamente pela polícia, criando um movimento que duraria até ao final do ano e resultaria numa alteração profunda da então Checoslováquia. Nos dias seguintes, através da Formação de um Fórum Cívico, o movimento juntou opositores a um governo debilitado. O número de participantes foi crescendo, com mais manifestações e uma greve geral. Dois meses depois, a 29 de dezembro, o Prémio Nobel da Literatura, Václav Havel, seria eleito Presidente da Checoslováquia.

 

Lusitânia Expresso, 1992

A missão do Lusitânia-Expresso até pode parecer simples: transportar cerca de 120 estudantes de 23 países até Dili, em Timor-Leste. O objetivo era homenagear o povo timorense, colocando uma coroa de flores no Cemitério de Santa Cruz – local onde as forças militares indonésias haviam, 78 dias antes, assassinado 201 timorenses.

A viagem, contudo, seria interrompida. Perto das águas territoriais de Timor, duas fragatas de guerra rodearam o navio português. Mais tarde, os canhões das fragatas seriam mesmo levantados, num claro sinal de hostilidade. 

As flores seriam atiradas ao mar. “Para o mar que as levará até Timor”, disse então o Diretor e hoje CEO da Forum Estudante, Rui Marques, aos restantes tripulantes. “Não chegámos a Timor mas cumprimos a nossa missão”, acrescentou: “colocar Timor na agenda internacional”. 

A liberdade do povo timorense chegaria dez anos depois, a 20 de maio de 2002.

 

Inverno Chileno, 2011

Em Maio de 2011, ocorre a primeira de uma longa série de manifestações dos estudantes chilenos. O objetivo, explicava a então líder do movimento, Camila Vallejo, passava por “recuperar a educação pública e regular o ensino privado”. No Chile, apenas 26% das universidades pertencem ao Estado. 

Seguiram-se várias manifestações e a ocupação de universidades e liceus. Em meados de junho, 80 mil estudantes manifestaram-se em frente à sede da presidência, reclamando ensino superior gratuito. Os protestos e ocupações estenderam-se até 2013. Com a vitória de Michelle Bachelet, em 2013, chegaria a promessa da Presidente: estabelecer um sistema de ensino superior gratuito, no prazo de seis anos.

As manifestações do "Inverno Chileno" estão na base da introdução do regime de "gratuidad", ao abrigo do qual cerca de 50% dos estudantes de famílias com menores rendimentos não pagam propinas. De acordo com a BBC, mais de 300 mil estudantes beneficiam deste apoio. Contudo, "isto não significa que o sistema universitário tenha deixado de ser socialmente divisivo", destaca a BBC, salientando os problemas de financiamento e de acesso que estão ainda por resolver. 

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