Ao longo dos últimos anos, a mobilização para a comunicação de conteúdos científicos é uma realidade na maioria das instituições de Ensino Superior. De acordo com Marta Entradas, há várias razões que explicam esta tendência: por um lado, este tipo de comunicação é vista como uma oportunidade de branding, por outro, existe também uma maior abertura dos cientistas para partilhar as suas investigações.

A apresentação de Marta Entradas incidiu nas principais conclusões do seu estudo financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Esta investigação começou pela realidade portuguesa, estendendo-se depois a todo o globo, inquirindo cerca de 8 mil instituições, com o objetivo de traçar um quadro completo que responda às seguintes questões: "O que estão a comunicar as instituições?" e "Que recursos colocam disponíveis?".

 

A ciência de comunicar Ciência MG 39831

A investigação de Marta Entradas, da ISCTE-IUL, procurou "traçar um quadro" da realidade da comunicação pública de Ciência, no Ensino Superior.


De acordo com esta investigação, há vários factores contextuais que explicam esta atividade de comunicação específica. A procura de prestígio da instituição, de financiamento para investigação e as características da área científica são algumas dos factores contextuais influenciadores, sendo que o envolvimento dos investigadores, a política nacional interna e os recursos humanos disponíveis afetam diretamente os resultados.

Eventos públicos, newsletters, brochuras, entrevistas aos media ou comunicados de imprensa são algumas das opções mais populares na área de comunicação pública de Ciência. Um dado surpreendente, para Marta Entradas, é o espaço reduzido que os meios online (redes sociais e plataformas de vídeo) ocupam, face aos eventos públicos e relações com os media tradicionais. O websites institucionais são o canal mais utilizado, em todo o globo, com as redes sociais a serem os meios menos utilizados.





"A comunicação de Ciência poderá servir para fortalecer a imagem das Instituições de Ensino Superior". 
Marta Entradas, investigadora do ISCTE-IUL

 




O universo científico evidencia, de acordo com a investigação de Marta Entradas, diferenças internas na forma como se relacionam com a comunicação. As Ciências Sociais apostam mais, por exemplo, em palestras públicas, no contacto com as autoridades locais e em conferências de imprensa. Independemente da área de estudo, a maioria dos inquiridos responde que comunica Ciência com o objetivo de partilhar conhecimento com o público. Outras das justificações oferecidas passam por "dar resposta à missão da instituição", "responder às políticas nacionais" e "envolver o público.

 

Um quadro e o futuro

Portugal regista o maior número profissionais dedicados à comunicação pública de Ciência (ainda que tenha o maior número de instituições sem nenhum profissional dedicado a esta área), sendo que é um dos países que mais investe financeiramente nesta área.

Os resultados apresentados, realçou Marta Entradas, permite "traçar um quadro" da realidade da comunicação Ciência do Mundo - uma atividade que se encontra "a expandir e a crescer". "Sinais como políticas públicas e o maior financiamento mostram que esta atividade quer entrar na cultura das instituições", destacou a especialista. A comunicação de Ciência, conclui Marta Entradas, poderá servir para "fortalecer a imagem das Instituições de Ensino Superior". 

 

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Uma das reflexões importantes, sublinhou, será "compreender qual o espaço que este tipo de comunicação deve ocupar, na relação entre gabinetes centrais e cientistas, e quais as principais dificuldades sentidas". Com esse objetivo, há já mesmo uma nova investigação a ser conduzida. 

 

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