No gabinete de Nuno Mota, há um ecrã que capta a atenção de quem entra. O monitor mostra gráficos e tabelas atualizados ao minuto, numa imagem que faz lembrar o mundo da alta finança. E a comparação não é descabida, segundo a explicação do diretor: “É a partir daqui que acompanho a cotação em bolsa das matérias primas e compreendendo qual a melhor altura para comprar”. 

No monitor, há nomes que saltam à vista: “soja” e “milho”, por exemplo. É a partir destes elementos, descreve Nuno Mota, que se irá “montar o LEGO” das rações. O objetivo é simples: responder da forma mais eficaz e eficiente às necessidades dos animais.

 

 

Como montar o puzzle que alimenta o Mundo MG 7642

 

 

Completar este puzzle é, para o responsável da Raporal, o desafio mais atrativo desta área que implica conhecimento científico, mas também pensamento criativo. “Há que saber adequar a produção às necessidades”, realça, antes de deixar um exemplo: “Pensemos num grão de soja. É produzido no interior do Brasil, viaja de camião até ao Porto de Santos, cruza o oceano num navio e chega a Lisboa”. Nesta longa viagem, há “muita coisa que pode acontecer e que é necessário afinar”. Pelo meio, há uma certeza: “os animais terão de ser alimentados”.

De resto, os animais são, em grande medida, o foco da produção. Construir o “puzzle” de cada ração “terá de contribuir diretamente para o bem-estar animal”, ajudando na adaptação ao contexto, por exemplo, no ajuste à temperatura ou no caso de necessidades calóricas específicas. E a felicidade dos animais é importante, destaca Nuno Mota, não só pela “óbvia” questão ética, mas também por uma questão produtiva: “nenhum animal pode ter ‘stress’ – todos têm de estar confortáveis e bem alimentados”.

 

 

Como montar o puzzle que alimenta o Mundo MG 7647

 

 

O futuro passa por aqui

Os desafios do futuro obrigarão a encontrar novas práticas de sustentabilidade. Sobre esta necessidade, Nuno Mota não tem dúvidas: “o setor da alimentação animal é dos que mais tem implementado mudanças efetivas nesta área”. O diretor exemplifica com a reutilização de subprodutos de outras indústrias que, desta forma, “ganham uma segunda vida, com segurança para o consumidor”. “Isto terá de ser feito por outras indústrias, no futuro”, reforça.

Há ainda inovações científicas recentes que contribuem para a sustentabilidade do planeta: a criação de enzimas especializadas na libertação do fósforo das plantas, por exemplo, permite reduzir a extração deste recurso do meio ambiente. Esta descoberta, destaca o diretor, ilustra a forma como a produção científica e o investimento em investigação nesta área aumentaram, nos últimos anos, para encontrar resposta às preocupações mais atuais. “Por razão, esta pode ser uma especialidade muito interessante para um jovem, ao trabalhar em matérias que são muito relevantes, hoje em dia”, realça Nuno Mota, antes de concluir: “E que o serão ainda mais no futuro”.

 

Como montar o puzzle que alimenta o Mundo MG 7661

Como montar o puzzle que alimenta o Mundo Alimentação