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O empresário português Tiago Sá entrou recentemente na lista da revista Forbes “30 jovens europeus com mais potencial”. Diplomado pela Universidade do Porto, Tiago é cofundador da Wisecrop – empresa tecnológica que faz a diferença na vida de milhares de agricultores.

À FORUM, o empresário vê na Agricultura um setor que “propicia muitas oportunidades ao nível da incorporação tecnológica”.

O Wisecrop define-se como o "sistema operativo da Agricultura". Porquê?
Essa definição é uma analogia ao sistema operativo Windows que temos nos nossos computadores. No fundo, o Windows não é mais do que a interface (o ambiente de trabalho) para utilizar a Aplicação mais indicada ao trabalho que queremos fazer. Cada aplicação tem um propósito muito específico, mas todas elas estão interligadas sobre a mesma interface: o sistema operativo. Este é o conceito do Wisecrop. 

De que forma é que este conceito tem aplicação, no dia a dia dos produtores?
Ao ser uma interface única, online e extremamente simples, permite ao agricultor otimizar o seu tempo nas tarefas diárias da gestão do seu negócio. Além disso, é possível ligar sensores, programadores de rega ou outros dispositivos para potenciar os resultados. Oferece ainda uma loja de serviços agrícolas como análises laboratoriais ao solo, folha, água, resíduos ou outras que podem ser subscritas de qualquer laboratório, sendo os resultados completamente integrados e enviados digitalmente para o agricultor. Outros serviços incluem mapeamento aéreo com drone ou satélite, previsão agrometeorológica, etc. O resultado é uma gestão muito mais rápida e simplificada do negócio, o que resulta em melhorias significativas dos resultados, campanha após campanha

Em que contexto surgiu a fundação da empresa Wisecrop? Já tinhas uma relação anterior com a área da agricultura?
A Wisecrop surgiu no seguimento de uma Unidade Curricular do curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Nessa UC, tivemos a oportunidade de trabalhar com um protocolo de comunicação de dados sem fios que permitia a transmissão de dados via wireless com baixo consumo energético e de dados. Finalizada a disciplina com sucesso, decidimos construir um produto em torno dessa tecnologia. Selecionámos o setor Agrícola como um dos que teriam maior recetividade desta solução. Esta escolha foi ponderada e analisada "à engenheiro", incluindo a experiência prévia que alguns fundadores já tinham tido com este setor.

Organizações como a FAO chamam a atenção para os desafios da sustentabilidade alimentar, num futuro próximo. Pensas que será obrigatório que o futuro do setor agrícola passe por soluções tecnológicas como a Wisecrop?
Sem dúvida. Alguns dos maiores desafios que enfrentamos, neste momento, prendem-se com o aumento populacional e consequente escassez de recursos. Por outro lado, o aumento das normas de segurança alimentar traz restrições ao nível da produção e, simultaneamente, a discrepância entre procura e oferta no que respeita a alimentos, resulta em desperdícios alimentares relevantes e respetivo impacto na poluição. Soluções como o Wisecrop apresentam-se como uma ajuda significativa na resolução destes problemas e na redução do impacto que cada Unidade de Produção causa a nível ambiental.

Dirias que continua a existir uma oportunidade para criar projetos na Agricultura, através da inovação tecnológica?
A Agricultura é um setor que propicia muitas oportunidades ao nível da incorporação tecnológica. Este setor nunca esteve na vanguarda da tecnologia, mas acredito que esse paradigma mudará nos próximos 5-10 anos. Há ainda muito que explorar neste setor, do ponto de vista tecnológico.

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Pensas que o público em geral já tem a percepção desta realidade? Que visão existe sobre a Agricultura?
Acredito que, nos últimos 3 anos, ficou muito claro que a Revolução 4.0 chegou não só à Indústria e às Cidades, mas também à Agricultura. A Wisecrop faz parte desta revolução e sempre teve este processo como visão, não fosse o nosso slogan "The Natural (r)Evolution". Cada vez há mais workshops, palestras e conferências sobre este tema, o que vem reforçar o aumento da consciência global. Acredito que, dentro de poucos anos, a Agricultura deixará de ser aquilo que hoje conhecemos: passará a ser um setor altamente evoluído, com forte incorporação tecnológica, com criação de postos de trabalho até hoje inexistentes, com exigências de formação muito específicas e com capacidade de criar negócios altamente rentáveis. Esperamos que o Wisecrop continue a fazer parte desta revolução.

E, quanto aos jovens em particular, sentes que existe o conhecimento deste potencial, nomeadamente relativo a oportunidades profissionais?
Na minha opinião, a Academia ainda não absorveu completamente esta tendência de crescimento de incorporação tecnológica no setor Agrícola. Penso que, apesar da crescente consciencialização dos professores e estudantes, ainda há um longo caminho a percorrer. Não obstante, a Wisecrop hoje suporta vários estudos e projetos científicos, em diferentes instituições de ensino, o que valida esta tendência. Aos poucos e poucos, os estudantes vão-se apercebendo que será impossível fazer agricultura sem recurso a ferramentas tecnológicas de suporte à tomada de decisão e à gestão do negócio.

Para terminar, o que significou para ti a distinção recente por parte da Forbes?
Foi com muito orgulho que recebei esta distinção. Apesar de ser uma distinção pessoal, não a interpreto dessa forma. Atribuo-a a toda a equipa na base do Wisecrop e a todo o percurso que tivemos nos últimos anos. É bom sentir que o trabalho que a Wisecrop tem vindo a fazer é reconhecido e que estamos no caminho certo. Ao fim e ao cabo, são os agricultores que nos colocam comida na mesa todos os dias. Continuaremos a dar o nosso melhor para tornar a sua vida um pouco mais fácil, dia após dia.

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