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O segundo dia da Academia Leiria-In foi centrado no passado, presente e futuro dos moldes, com passagens por 10 empresas desta indústria, bem como pelos museus do Vidro e do Aço. A terminar o dia, foi possível conhecer a história de vida de um empresário do setor.

“É aqui que tudo começa”, salienta, a certa altura, o gestor de projeto da DRT, Eduardo Ribeiro. O guia da visita a esta empresa aponta na direção de uma das estações de desenho tridimensional de moldes. A seu lado, o responsável por esta secção explica o conceito de molde, enquanto peça fundadora da grande maioria dos objetos do nosso quotidiano: “a ideia de base do molde é a mesma de quem faz um buraco numa plasticina, para criar uma nova forma com uma cor diferente”. “A difereça é que aqui lidamos com coisas muito mais complexas”, completou. 

A imagem utilizada ilustra a importância dos moldes, enquanto peças reponsáveis pela produção de objetos pertencentes a todas as áreas e setores. Durante a manhã de hoje, os cinquenta e dois participantes da Leiria-In dividiram-se em dez grupos, de forma a visitarem dez empresas da região de Leiria que se inserem nesta indústria. Desta forma, DRT, Erofio, Fozmoldes, Iberomoldes, Moldoeste, Planimolde, Ribermolde, Socem, Tecnimoplas e TJ Moldes abriram as portas aos estdantes.

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Na DRT, Eduardo Ribeiro começou por contextualizar a ligação da indústria de moldes à região. Foi no século XVIII que os primeiros moldes de madeira começaram a ser produzidos, para serem utilizados na indústria vidreira. Desde então, muito mudou, destaca o gestor. Na década de 1950, surgiria o primeiro molde em aço. Hoje em dia, empresas com a DRT utilizam “técnicas avançadas que são originárias de outras áreas”, explicou, exemplificando com “a impressão 3D em aço que já é realizada”.

De resto, conforme destacou a vice-presidente do Politécnico de Leiria, Ana Sargento, durante a visita à DRT, esta atividade serviu, precisamente, para dar a conhecer a evolução tecnológica do setor, “mostrando como a indústria não está apenas no chão de fábrica”. “Cada vez mais, há uma componente de engenharia e desenho de produto, por exemplo”, reforçou.

 

Semear o gosto

A manhã de hoje colocou em contacto directo 52 estudantes com a realidade empresarial. Sobre as aprendizagens realizadas, ressalvou Eduardo Ribeiro, o setor dos moldes “não se aprende num dia ou dois”. Contudo, o gestor acredita que “ao ver muita tecnologia avançada, [os participantes] poderão ganhar um gosto por esta área”.

Uma perceção que é confirmada pelo participante Pedro Domingues, durante a visita à TJ Moldes. Ainda que confesse nunca se ter interessado especialmente por esta área, sente que isso poderá mudar. “Estou a descobrir que tem muitas ligações a um sector de que gosto muito – o sector automóvel”, explica o estudante, realçando que “é bom saber que Portugal tem um papel importante nesta indústria, mesmo sem ter grandes marcas de automóveis”.

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A atividade da manhã serviu também para conhecer o dia a dia de quem trabalha nesta indústria. Durante a receção aos participantes na Tecnimoplas, o desenhista de moldes, Pedro Domingues, explicou os principais contornos desta tecnologia, detalhando pormenores como os sistemas de injeção ou rotação. De acordo com o técnico, o gosto de trabalhar nesta indústria nasce “dos desafios constantes”: “há problemas complexos que nos obrigam a puxar pela cabeça, para encontrar uma solução”.

Em grande medida, construir um molde é também realizar a soma de vários ingredientes, conforme destacou o António Ribeiro, diretor da Ribermolde, durante a visita à sua empresa. “Vejo o molde como um puzzle, em que juntamos várias peças para alcançar um resultado final”. É também por essa razão que Pedro Domingues destaca este setor como uma oportunidade de “adqurir conhecimento vasto sobre várias matérias que vão da hidráulica ao setor automóvel”.

 

Do passado à inovação

Depois de almoço, as atividades fixaram-se no centro da Marinha Grande, com a visita aos museus do Vidro e do Aço, junto à praça Praça Guilherme Stephens. No Museu do Vidro, foi possível conhecer a exposição permanente, que reúne peças produzidas entre o século XVIII e o século XX. O final da visita incluiu uma passagem pelas oficinas deste espaço museológico, onde dois artesãos demonstraram técnicas de moldagem do vidro. 

Já no Museu do Aço, o colaborador da CEFAMOL, António Rato, acompanhou os estudantes numa viagem pela ligação da região a este metal, destacando a sua importância na produção de moldes – depois da implementação da indústria vidreira, o plástico chegaria na década de 1930 a Portugal e à Marinha Grande.

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O percuso histórico passou pelos moldes de compressão e chegou à recente introdução da informática. A visita não terminaria sem uma passagem pelo Núcleo de Arte Comtemporânea do Museu do Vidro, onde foi possível, conforme destacou a guia presente no local, conhecer obras que não possuem um propósito funcional e que, utilizando os mesmos materiais que a indústria, servem como forma de expressão artística.

Da dimensão histórica e artística, as atividades passaram para o presente e, sobretudo para o futuro. Tendo em conta a preponderância do desenvolvimento tecnológico, existe a necessidade de garantir níveis de inovação que mantenham a competitivade das empresas. É neste ponto que encontramos a missão do Centimfe – um centro tecnológico que presta apoio às empresas na área dos moldes, ferramentas especiais e plásticos. Por essa razão, as empresas visitadas durante a manhã, bem como muitas outras, fazem parte desta estrutura. 

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Durante cerca de uma hora, os estudantes puderam visitar as três áreas de prestação de serviços deste centro – Engenharia de Processo, Metrologia e Prototipagem – compreendendo a forma como estes departamentos fomentam a inovação e qualidade nas empresas da região. Para a estudante Bárbara Bernardo, de 16 anos, o mais impressionante desta visita foram "os moldes 3D". "Não tinha a noção de como as coisas simples do dia a dia envolvem uma produção tão complicada", realça. A mesma ideia é reforçada pela estudante relativamente à tecnologia dos moldes: "É impressionante que a um molde corresponda apenas uma peça. Caso exista uma simples mudança, será preciso fazer um novo molde". 


"Não tinha noção de como as coisas simples do dia a dia
envolvem uma produção tão complicada. É impressionante
que a um molde corresponda apenas uma peça"
Bárbara Bernardo, participante da Leiria-In

 
A vida de um industrial 

Foi em Maceira, bem perto da Marinha Grande, que nasceu Telmo Ferraz. "Tive essa sorte", realçou, destacando a oportunidade de, por exemplo, frequentar o ensino pré-primário, integrado no núcleo industrial da grande fábrica de cimento ali instalada desde 1923. Aos 15 anos, inicia a sua vida profissional. Hoje é o Diretor Geral e Presidente do Conselho de Administração da Planimolde. Durante a noite de hoje, Telmo Ferraz partilhou com os participantes da Leiria-In o caminho entre estes dois pontos, sem esquecer a importância dos pormenores. Foi no início de carreira, contou, que um amigo israelita lhe disse uma frase que não mais esqueceria: "A diferença entre o bom molde e um mau molde está nos pequenos detalhes". 

Em 1978, em conjunto com um grupo de trabalhadores, decide criar "uma nova e pequena empresa" – a Planimolde. No ano passado, a empresa celebrou 40 anos, assinalando a data "com um dos maiores investimentos da sua história", com a duplicação das instalações, num investimento na ordem dos três milhões e meio de euros, revelou Telmo Ferraz. O empresário partilhou depois alguns dos números e dados representativos da Planimolde, destacando a importância de uma empresa cumprir projetos de responsabilidade social, nomeadamente "ajudando quem necessita". 

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Uma das grandes mais-valias da indústria de moldes, particularmente da Marinha Grande, é a sua flexibilidade, "adaptando-se às condições do mercado internacional". Índia, Suécia ou Israel são alguns dos principais mercados atuais, mas Brasil ou México poderão também sê-los, num outro contexto, revelou o empresário. As questões colocadas pelos estudantes ligaram-se também aos softwares e tecnologias utilizadas pela Planimolde. 

Foi já no final da sessão que surgiu a pergunta sobre o porquê da ligação aos moldes. Telmo Ferraz conta como, enquanto estudante do quarto ano da Escola Industrial, no caminho de bicicleta entre Maceira e Marinha Grande, passava à porta de uma empresa de moldes. Um dia, surgiu a hipótese de trabalhar nessa mesma empresa. Foi o encarregado que decidiu que iria para a secção de desenho, marcando o seu futuro definitivamente. "Foi outro dos momentos de sorte da minha vida", afirmou o empresário. O que não implica que a nossa ação seja irrelevante, contudo, concluiu Telmo Ferraz, dirigindo-se diretamente aos estudantes: "façam da vossa vida aquilo que vocês são".

A Academia da Indústria continua amanhã. As atividades começam com uma nova visita a 10 empresas da região de Leiria. 

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