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Cada vez mais, partilhamos o espaço online com trolls, haters e bullies que recorrem a linguagem agressiva e, por vezes, de ódio. De onde vem esta raiva? E como devemos reagir?

Em agosto de 2016, a revista Time sublinhava “uma mudança de personalidade” na internet. Se, em tempos, esta já teve o espírito de um nerd apaixonado pela partilha de informação, atualmente, o cenário é bastante diferente. De acordo com o artigo assinado por Joel Stein, há mesmo uma “cultura de ódio” que está a conquistar o espaço online.

A agressividade e negatividade de muitos dos comentários que se encontram online celebrizaram o termo internet anger ( “raiva da internet”). Um fenómeno que se encontra facilmente. Basta-nos visitar algumas das plataformas mais utilizadas – Youtube, Facebook, Reddit, sites de notícias etc… – para observar alguns exemplos, sobretudo em caixas de comentários que se enchem de mensagens ofensivas ou insultuosas.

Os estudos parecem dar força a esta perceção. De acordo com os dados do Pew Research Center (2014), 70% das pessoas entre os 18 e os 24 anos já experimentaram alguma forma de abuso online. De igual forma, um estudo europeu (Net Children Go Mobile, 2014) mostra que os casos de cyberbullying – uma das formas de discurso de ódio – têm vindo a aumentar, nomeadamente nas escolas.

 

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Ainda que o crescimento seja relativamente recente, esta tendência não é uma novidade. Um artigo publicado pela Scientific American sobre o tema salienta a negatividade de muitos dos comentários que se podem encontrar na internet: “leia qualquer forum na web e vai concordar – as pessoas são mais malvadas online do que na ‘vida real’”.

 

A explicação para a raiva

O que pode estar na base desta diferença de comportamento? No artigo Porque é que toda a gente na Internet está tão zangada?, o portal Live Science salienta que o anonimato, a distância e o facto do comentário ser escrito fazem com que proferir ameaças e insultos seja mais confortável. A ideia é simples: na internet dizem-se coisas que não se diriam cara-a-cara.

No mesmo sentido, um estudo sobre a Weibo (uma rede social chinesa), afirma que a raiva é a emoção mais ‘viral’ online, criando ligações “bastante mais intensas” do que a alegria ou a tristeza. A explicação, segundo o professor da Universidade de Wisconsin, Ryan Martin, poderá estar na noção de partilha. “Tendemos a partilhar a felicidade apenas com as pessoas que nos são próximas, mas estamos prontos para nos juntar à raiva de desconhecidos”, afirmou ao New York Times.

 

“Tendemos a partilhar a felicidade apenas com as pessoas
que nos são próximas, mas estamos prontos para nos juntar à raiva de desconhecidos”
Ryan Martin, professor da Universidade de Wisconsin

Alguns estudos têm também associado a ideia de “canalizar” a raiva para a internet como sendo “relaxante” ou “terapêutica”. Para a revista Psychology Today, contudo, a ligação pode não ser assim tão óbvia. “Décadas de pesquisa mostram que esta ‘canalização’, mais do que libertar a raiva, torna-a pior”, podendo criar uma espiral de agressividade.

 

Os alvos do ódio

O que acontece quando este discurso de ódio é dirigido a uma ou mais pessoas? A ideia de raiva direcionada implica, necessariamente, um alvo. O que resulta, muitas vezes, em ameaças, ataques ou humilhações. Por essa razão, o Huffington Post fala de “uma nova forma de bullying que vive também nas caixas de comentários".

A coordenadora da campanha Movimento Contra o Discurso de Ódio, Margarida Seco, define discurso de ódio como sendo “destinado a ferir, desumanizar, assediar, intimidar, humilhar, degradar e vitimar os grupos-alvo”, bem como “fomentar a insensibilidade e a brutalidade contra eles”. Uma das formas deste tipo de expressão, acrescenta, é o cyberbulling, que se distingue por ser “normalmente dirigido a uma pessoa ou um grupo restrito de pessoas”, sendo também “continuado e persistente”.

No seu site (www.odionao.com.pt) o Movimento Contra o Discurso de Ódio, uma campanha europeia coordenada em Portugal pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, revela alguns conselhos para conseguir lidar com estes casos: 

 

7 conselhos para reagir ao discurso de ódio:
1 – Não deves reagir por impulso e não deves responder
2 – Tenta manter o equilíbrio mental perante os insultos
3 – Lembra-te que o troll quer sobretudo atenção
4 – Compreende que o troll é apenas um ser humano como tu
5 – Denuncia os comentários de ódio em locais apropriados
6 – Informa-te sobre o discurso de incitamento ao ódio
7 – Divulga estes conselhos por teus familiares e amigos
Adaptado de Manual de Sobrevivência ao Troll, Movimento Contra o Discurso de Ódio

 

Este movimento define o seu objetivo como o combate ao racismo e à discriminação na sua expressão online, como o discurso de ódio. Para tal destaca Margarida Seco, a campanha tem realizado ações de formação e publicado recursos como manuais, vídeos e memes. Tudo, conclui, “para que os jovens e a população em geral sejam sensibilizados para o combate ao discurso de ódio, promovendo a educação para os Direitos Humanos online”.



Quem são os "zangados" da Internet?

Trolls

Objetivos: captar a atenção e incendiar a discussão
Habitat: caixas de comentários, redes sociais e fóruns
Método: opiniões extremadas, mentiras 


Haters

Objetivos: discordar, criticar e desvalorizar
Habitat: caixas de comentários, redes sociais
Método: desvalorização absoluta


Bullies

Objetivo: humilhar, provocar e atacar
Habitat: chats, redes sociais
Método: insultos e ameaças

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