Cerca de metade dos alunos do secundário (49%) de Lisboa tem pelo menos um factor de risco para o desenvolvimento de problemas no coração. A conclusão vem de um estudo-piloto que irá ser apresentado hoje no Instituto Ricardo Jorge (Insa) e que envolveu 854 alunos de oito secundárias da região.

Mafalda Bourbon, responsável pelo estudo, acredita que “Os resultados são alarmantes”, já que por volta de 35% dos jovens dos 15 aos 18 anos que foram acompanhados tinham já dois factores de risco cardiovascular e os outros 12% apresentavam já três. Entre os factores de risco mais vulgares estão a obesidade, o fumo e a hipertensão.

"A grande surpresa foi a prevalência da hipertensão: 11% dos alunos tinham já tensão alta e 28% uma pressão arterial normal alta, ou seja, podem ser considerados pré-hipertensos. É uma barbaridade", referiu a investigadora do Departamento de Promoção da Saúde e Doenças Crónicas do Insa ao Diário de Notícias.

"Sabemos que 42% dos adultos são hipertensos, mas não esperávamos encontrar uma prevalência tão grande em adolescentes. Estivemos numa escola em que havia um número elevado de crianças com 15/10 e não conseguimos encontrar explicação para esse facto", indicou.

Estas conclusões são a razão para se avançar com um estudo nacional, porque os resultados não são iguais em todas as regiões. Das oito escolas que participaram no estudo de prevenção cardiovascular "Coração Jovem", cinco são públicas e três são privadas, e são todas da região de Lisboa.

Também foram detectados outros problemas como o excesso de peso e a obesidade, que afectam 16% dos jovens que fizeram parte do estudo, e além disso dos 13% de alunos que fumavam, 8% fazem-no todos os dias. Apesar de só 0,5% terem diabetes, um em cada dez tinha anomalias do metabolismo. Foi salientada ainda a existência de 22% de adolescentes com os valores de colesterol a tocar nos limites, em que 6% dos pais tinham problemas cardíacos prematuros.

Notou-se também que com o aumento da idade, vão-se ganhando maus hábitos como começar a fumar e ter má alimentação: 60% consomem verduras diariamente, e 23% toma menos de cinco refeições por dia.

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Em relação ao exercício físico, 55% praticam menos de uma hora por semana fora da escola, e mais de 55% passam mais de uma hora por dia a ver televisão ou em frente ao computador ou consola de jogos.

Os resultados mostram aos investigadores que "cedo se começam a criar condições de risco”, que poderão desenvolver problemas cardiovasculares, a qual é a primeira causa de morte em Portugal.