O trabalho de investigação publicado no Journal of Experimental Child Psychology envolveu um grupo de 64 crianças de várias escolas do concelho de Aveiro com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos. A pesquisa é dos psicólogos Pedro Rodrigues e Josefa Pandeirada, investigadores do polo CINTESIS do Departamento de Educação e Psicologia da UA.

Em geral, apontam os investigadores, o desempenho das crianças nas tarefas cognitivas foi significativamente melhor quando estas foram realizadas no ambiente de baixa carga visual (plataforma sem elementos visuais) do que no ambiente de alta carga visual (plataforma com as 24 imagens expostas). Em concreto, "as crianças tiveram melhor performance nas duas tarefas de memória e mais respostas corretas nas duas tarefas de atenção quando estavam expostas à plataforma livre de elementos distratores do que quando esta continha as imagens".

O estudo não permite ainda avançar com implicações diretas no âmbito escolar, "uma vez que os elementos visuais apresentados no ambiente de alta carga visual foram de natureza diversa e não exclusivamente sobre conteúdos escolares, como é mais típico na sala de aula". Apesar disso, Pedro Rodrigues adianta que, "uma vez que as tarefas utilizadas avaliaram processos cognitivos subjacentes à aprendizagem, os dados sugerem que a presença de determinados elementos visuais nas salas de aula poderá constituir-se como fonte de distração e prejudicar a aprendizagem das crianças".

"Há ainda muito trabalho a fazer até chegarmos ao ponto de podermos fazer recomendações devidamente fundamentadas sobre quais as condições ambientais que propiciam uma aprendizagem mais eficaz por parte das crianças, mas este é seguramente um primeiro passo muito importante", esclarecem os investigadores.

O trabalho de investigação intitulado "When visual stimulation of the surrounding environment affects children's cognitive performance" é parte integrante do projeto de doutoramento de Pedro Rodrigues, recentemente concluído na UA, sob orientação de Josefa Pandeirada. Este projeto foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e teve como instituições de acolhimento o CINTESIS, o DEP da UA e o Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem (IBILI) da Universidade de Coimbra.

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