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Cerca de 130 estudantes do ensino secundário participaram em Piendente de Voto [Sujeito a Voto], no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Nesta criação do espanhol Roger Bernat, o público não se limita a assistir, sendo convidado a votar sobre diversos temas. Durante três horas, houve espaço para muitas perguntas. E para ainda mais respostas.

“Já chegaram todos?”, foi a primeira de muitas perguntas a surgir no ecrã. Durante os segundos seguintes, a plateia de 130 estudantes pressionou os seus controlos remotos. Venceu o “sim”, previsivelmente. Depois de mais algumas questões, nova pergunta: “O que preferes ouvir, Drake ou Kendrick Lamar?”. 

Ganhou Drake, com larga vantagem. Foi ao som de One Dance que as próximas questões foram votadas. A legitimação da decisão da maioria, a constituição de uma mesa da assembleia ou a abolição dos trabalhos de casa foram algumas das deliberações deste fórum de estudantes.

A dinâmica mudaria algum tempo depois: primeiro, as decisões começam a ser tomadas em pares, depois, assiste-se à formação de partidos e à eleição de representantes. Do sistema de pergunta e respostas, passa-se para a troca de argumentos entre os membros do público. Os debates incidem em temas como a legalização das drogas, da prostituição ou sobre os direitos das minorias. 

Esta complexidade crescente, explicou à FORUM o criador do projeto Roger Bernat, assume-se como uma viagem “por várias interpretações da democracia – da assembleia grega à democracia representativa”. O objetivo, acrescentou, foi também mostrar como “à medida que a pessoa está mais longe de tomar a palavra, a qualidade democrática do sistema empobrece”.

Sofia Anica, de 15 anos, foi eleita presidente de um dos cinco partidos formados. “Estava no lugar certo”, concorda, tendo em conta que a seleção foi aleatória. Para esta estudante da Escola Secundária Filipa de Lencastre, as questões colocadas “foram muito interessantes”. “Sobretudo as mais estranhas”, acrescenta.

Por “estranhas”, Sofia Anica explica que se refere às perguntas que incidiram sobre temas como sexualidade ou a legalização da prostituição. “São assuntos sobre os quais não falamos tanto – mas é importante refletir e ter consciência sobre o que se passa à nossa volta”. Para esta estudante, os jovens “acabam por estar mais focados nos assuntos do dia-a-dia”. Por essa razão, conclui, seria interessante organizar debates como este em espaço escolar: “encontrei novos pontos de vista sobre assuntos em que não tinha pensado assim tanto”.

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De adultos para jovens

Pendiente de Voto é um espetáculo criado para adultos, explica Roger Bernat: “a única mudança que fizemos foi mudar as músicas a votação”. Esta foi a primeira vez que o espetáculo foi exibido para um público exclusivamente adolescente. Para além da sessão no Teatro Maria Matos, no dia 24 de abril, realizou-se também uma sessão no Porto, na véspera, no Teatro Rivoli.

O resultado, revela Roger Bernat, foi “uma agradável surpresa”, destacando sobretudo a qualidade dos debates e da escuta. “Este é um espetáculo em que o público está muito abandonado – mesmo assim, [o público estudantil] organizou-se e usou argumentos que superaram muitos dos que foram utilizados por adultos”.

Uma das professoras que organizou esta visita de estudo, Maria Barcia, explicou à FORUM que esta atividade se insere nos temas de cidadania e desenvolvimento que são trabalhados em sala de aula. “O objetivo é que pensem sobre o direto ao voto – que exercerão daqui a 2 ou 3 anos”.


Mais do que conclusões

É ainda durante o espetáculo que Daniela Paninho conta: “recebi a carta na semana passada”. Nas próximas eleições, irá votar, depois de se “informar acerca de cada partido”, garante. Para a estudante, Pendiente de Voto foi uma surpresa. Não esperava uma peça com tanto dinamismo e "uma forma de teatro tão inovadora". 

Os temas que surgem no ecrã e que são depois debatidos pelos estudantes merecem a atenção de Daniela Paninho. "Embora fale de alguns destes assuntos com os colegas, sinto que alguns destes temas são tabu – as pessoas não falam muito sobre eles". 


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A seleção dos temas, explicou Roger Bernat, seguiu um critério específico. Os assuntos selecionados, em cada país, estão intencionalmente fora das respetivas agendas mediáticas, de modo a "obrigar o espectador a puxar pela sua ética pessoal e a ouvir os outros". No total, Pendiente de Voto já passou por 10 países. As respostas do(s) público(s) estão disponíveis para consulta e análise aqui.

Nesta sessão para público adolescente, o criador catalão diz esperar que tenham ficado claros "os perigos que estes fóruns têm de enfrentar", nomeadamente os "fóruns sociais, digitais e de opinião que são filtrados por um grupo muito restrito de pessoas". Por outro lado, acrescenta, o objetivo passa por mostrar, ao público adolescente, as muitas potencialidades do Teatro enquanto meio. Neste caso, por exemplo, "que o teatro permite fazer a corporização das redes sociais". 

Para Daniela Paninho, ainda que nas redes sociais exista expressão de opinião, este tipo de debate organizado e presencial é "uma coisa diferente". "Esta troca de argumentos deve acontecer mais", afirma, concluindo: "o debate é importante e não apenas para retirar conclusões – também para ficar a conhecer a visão dos outros”. 

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