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Há escolas que permitem o uso do telemóvel pelos alunos como auxílio à aprendizagem. Alguns especialistas vêm nesta utilização uma fonte de distrações. Conhece os dois lados da discussão.

Quando olhamos o ambiente escolar dos últimos 15 anos, encontramos um novo elemento que, entretanto, ganhou o seu próprio espaço: o telemóvel. Um pouco por toda a Escola – corredores, exterior, salas de convívio ou refeitórios – encontramos estudantes que os utilizam como forma de comunicar, ouvir música ou jogar.

Nesta expansão, um dos últimos espaços por conquistar será mesmo a sala de aula. Tradicionalmente, os telemóveis são vistos como formas de distração e a sua utilização é sinónimo de um menor foco na aprendizagem. Por essa razão, ao longo dos anos, os alunos foram encontrando formas mais ou menos criativas de camuflar, por exemplo, as mensagens que recebem e enviam, sacrificando a atenção ao que é discutido em sala de aula.

Contudo, a evolução tecnológica tornou os smartphones em máquinas poderosas que permitem fazer mais do que mandar e receber mensagens – pesquisar informação ou fazer operações complexas são alguns exemplos. Devem estas potencialidades ser rentabilizadas nos espaços formais de educação?

 

 Sim: ajudar alunos e professores

Em 2014, a UNESCO publicou as Linhas Orientadoras para a Aprendizagem Móvel. Neste documento, esta agência das Nações Unidas especializada em questões ligadas à Educação, à Ciência e à Cultura salientava a tecnologia móvel (como telemóveis, tablets, e-readers ou consolas de jogo manuais) como “uma ferramenta poderosa, dentro de um grupo de outras ferramentas, que pode apoiar a educação em formas que não eram possíveis anteriormente”. 

Estas ferramentas são, acrescentam, muitas vezes ignoradas ou desvalorizadas. Numa época em que o número de dispositivos móveis conectados ultrapassa a população mundial, “estas tecnologias são proibidas e ignoradas nos sistemas de educação formal”. “Isto representa uma oportunidade perdida”, reforçam.

 

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Os benefícios listados pela UNESCO dizem respeito ao facto de esta ser uma ferramenta acessível em muitas partes do Mundo que, por essa razão, poderá “expandir o alcance e a equidade da Educação”. Por outro lado, destacam, estes dispositivos garantem a possibilidade de “obter avaliação e feedback imediato”, “ter acesso à educação em qualquer local” e “auxiliar estudantes com deficiência”, por exemplo.

As recomendações da UNESCO referem especificamente o espaço de sala de aula, salientado que a sua investigação mostra que “os dispositivos móveis podem ajudar os professores e formadores a usar o tempo de aula mais eficazmente”. “Ao utilizarem a tecnologia para fazer tarefas mais passivas como memorizar informação, os estudantes ficam com mais tempo para discutir ideias, partilhar interpretações alternativas e trabalhar em colaboração”.

Independentemente dos benefícios, a presença do telemóvel poderá ser difícil de ignorar. Um estudo do Pew Research Center de 2010 mostrava que, nas escolas que autorizam o uso do telemóvel, 71% dos alunos enviava ou recebia mensagens na sala de aula. No caso das escolas que não autorizavam, a percentagem era igualmente alta: 65%.

 

Não: diminuir as distrações e os riscos

Em 2011, o New York Times publicou uma reportagem que descrevia a escola onde estudavam os filhos de trabalhadores de gigantes tecnológicos como a Google ou a Apple. “Não se encontra um único computador. Nenhum ecrã. Não são autorizados na sala de aula”, descreve o jornalista Matt Richtel. “As ferramentas são tudo menos high-tech: papéis e caneta, agulhas de tricotar e, ocasionalmente, lama”, reforça. 

A abordagem não-tecnológica do espaço de sala de aula encontra também apoio junto de diversos educadores. Para o professor da Universidade de Furman, Paul Thomas, citado no mesmo artigo, “ensinar é uma experiência humana”, sendo que “a tecnologia é uma distração quando necessitamos de literacia, numeracia e pensamento crítico”.

 

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Aludindo a este lado da discussão, a revista The Atlantic recorda que, numa altura em que as calculadoras estão disponíveis em qualquer telemóvel, os estudantes acabam por ganhar uma dependência pelas máquinas que não fomenta o pensamento: “com esta dependência os estudantes perdem capacidade de reação e noções básicas de matemática e ciência”.

No mesmo sentido, o especialista em educação, Richard Freed, destaca que, cada vez mais, é difícil aos professores captar a atenção dos alunos. Num texto publicado no Huffington Post, o autor salienta alguns estudos que concluem que a utilização de dispositivos móveis na sala de aula “coloca a aprendizagem e segurança dos alunos em risco”.

Para além de resultarem numa “aprendizagem distraída” que “tem um impacto negativo na produtividade”, os telemóveis fomentam “casos de cyberbullying e o risco dos alunos serem vítimas”. Richard Freed cita ainda a Diretora de uma escola secundária americana que proibiu o uso de telemóvel durante todo o dia: “embora saibamos que existem muitos benefícios na utilização de tecnologias móveis, as distrações têm mais peso”.

 

 

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