“Para poucos países o mar é tão fundacional como para Portugal”. A frase foi proferida em 2023, pelo então primeiro-ministro António Costa, à margem do Fórum de Investimento na Economia Azul Sustentável. 

Portugal é um país que conta com uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) do mundo com uma dimensão de 1,7 milhões de km2, onde se podem encontrar “uma grande diversidade de ecossistemas e recursos”

Um reflexo da importância deste setor da economia para o país é o documento “Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030”, que tem como objetivo potenciar o papel económico do mar no desenvolvimento económico e social. No documento, podem ser encontrados objetivos, áreas de intervenção e um plano de ação com 185 medidas a ser implementadas até 2030, que visam proteger e restaurar os ecossistemas marinhos, impulsionar a economia azul circular e emprego, descarbonizar a economia, entre outros objetivos estratégicos. 

 

Economia Azul. O Oceano enquanto setor de futuro


As perspetivas são que a economia azul continue a crescer no mundo, com a adoção de políticas sustentáveis e o desenvolvimento tecnológico a serem considerados pontos-chave para o seu crescimento. Sabe porquê aqui e conhece a oportunidade que os oceanos significam. 


 

 

A dimensão do setor em Portugal

De acordo com dados da Comissão Europeia (CE), os setores da Economia Azul em Portugal empregavam, em 2022, aproximadamente 295.600 pessoas gerando quase 8 mil milhões de Valor Acrescentado Bruto (VAB). Estes valores correspondiam a um contributo equivalente a 3,7% do VAB nacional e a 6% do emprego nacional. 

No mesmo documento, da autoria do Observatório da União Europeia para a Economia Azul, este setor em Portugal é dominado pelo Turismo Costeiro, seguido dos Recursos Marinhos Vivos (ex: pescas) e das Atividades Portuárias.  

 

Sabias que… A ZEE de Portugal pode aumentar? 

 Está atualmente a ser avaliada na Organização das Nações Unidas (ONU) uma proposta que pode ver a Plataforma Continental Estendida de Portugal a passar para os 4 milhões de km2. Isto corresponde a 90% do mar da União Europeia e tornaria Portugal o 16.º maior país do mundo.


 

Existem também setores com objetivos já delineados até ao final da década. Portugal, segundo a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em declarações à Reuters, tem a ambição de alcançar a marca de produção de 10 Gigawatts (GWh) de energia eólica off-shore até ao ano de 2030. “Mais tarde, dependendo do processo, podemos licenciar até 10 GWh de energia”, disse antes de acrescentar: “estão a ser dados passos decisivos nessa área”

Nesse campo e até ao momento, Portugal tem operacional um projeto-piloto, o Windfloat Atlantic, que, de acordo com a EDP, “gerou em quatro anos de operações, 320 GWh de energia e forneceu energia limpa a 25 mil casas portuguesas”. No início de 2025, o governo português aprovou um plano para que fossem efetuados estudos que identificassem localizações apropriadas para a instalação de “quintas eólicas” na costa nacional.

 

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A aposta na formação e investigação

A capacitação, formação e investigação no setor das pescas e do mar fazem parte do programa do XXV Governo Constitucional. Além de ser mencionada a intenção de “continuar a promover a ação liderante de Portugal na proteção dos oceanos e no desenvolvimento da Economia Azul”, o governo reforça que quer ver o “conhecimento e investigação” reforçado e difundido “através das instituições de ensino superior e das escolas profissionais”. 

Em Portugal é possível encontrar formação que vai desde a formação profissional até ao ensino superior, passando pela investigação científica. A oferta formativa de ensino superior toca diferentes áreas da Economia Azul como o Turismo, a Biologia Marinha, a Biotecnologia, a Aquacultura e a Economia Azul e Circular. Ao longo das próximas páginas, vais poder a ficar a conhecer algumas destas opções formativas e respetivas saídas profissionais. 

  


Sabias que… A maior área marítima protegida do Atlântico Norte está nos Açores

Em 2024, a Assembleia Regional dos Açores aprovou a criação da maior área marinha protegida do Atlântico Norte. Com uma dimensão de 300.000 km2, esta área assegura a preservação de cordilheiras submarinas e ecossistemas marinhos vulneráveis.