Com data de estreia para 5 de março, Mickey17 marca o regresso dos filmes de Bong Joon-ho ao grande ecrã, depois de Parasitas, lançado em 2019 e vencedor de galardões como o Oscar de Melhor Filme, de Melhor Realizador e de Melhor Argumento Original. Ao género de Parasitas, Mickey17 será uma comédia negra, só que este último será no reino da ficção científica
Mickey17 é baseado no romance de ficção científica Mickey7 (ver caixa), escrito pelo autor Edward Ashton. O protagonista da história é Mickey Barnes, um desempregado que vê candidatar-se a “prescindível” numa colónia espacial a única solução para fugir às dificuldades financeiras que enfrenta na terra.
E o que é um “prescindível”? No mundo de Mickey17, o objetivo do protagonista causa espanto. “Leste o formulário?”, perguntam-lhe, quando nos é explicado que um prescindível é um ser humano enviado para fazer as tarefas e missões mais perigosas que os outros não querem fazer.
Quando morre enquanto as executa, o “prescindível” é clonado com grande parte das memórias do seu corpo anterior. O processo repete-se uma e outra vez. Os problemas começam quando Mickey é clonado novamente e o seu novo clone Mickey18, se encontra com o clone que pensavam estar morto, Mickey17.
A assumir o papel do protagonista Mickey está o ator Robert Pattinson (saga Twilight e Batman), com Naomi Ackie (Star Wars: A Ascensão de Skywalker e Master None), Steven Yeun (The Walking Dead e Invincible) e Mark Ruffalo (De Repente Já nos 30! e Zodiac) a acompanhá-lo no elenco. O realizador, Bong Joon-ho, além de Parasitas (2019), é conhecido por filmes como Okja (2017), Snowpiercer (2013) e Mother (2009)
Um filme que se foca “nos aspetos humanos”
A campanha de divulgação a nível mundial começou a 20 de janeiro, com a primeira paragem a ser a Coreia do Sul, país natal do realizador Bong Joon-ho. Neste primeiro evento, o cineasta fez-se acompanhar pelo ator Robert Pattinson e abordaram ambos alguns dos aspetos da história.
Na conferência de imprensa, Robert Pattinson contou como o guião, que ao início lhe pareceu simples, explora a mentalidade de Mickey. Esta é uma personagem que o ator descreveu como alguém “sem autoestima” e que “precisa de morrer 17 vezes para aprender algo”.
Já Bong Joon-ho destaca que este é um filme que pretende retratar a “humanidade de Mickey como um jovem comum, impotente e vulnerável”. O realizador acrescentou ainda que deixou de parte os “detalhes técnicos” da obra original, pretendendo concentrar-se “nos aspetos humanos”.
Sobre a escolha de Pattinson como protagonista, Bong Joon-ho caracteriza como “espetaculares” algumas das interpretações do ator em filmes como “The Batman”, “Good Time” e o “Farol”. “Já andava interessado em trabalhar com ele por causa do seu género de representação e pensei nele desde que comecei a escrever o guião”, explicou o autor sobre a sua escolha, citado pelo Korea Times.
Mickey17 estreia em Portugal a 5 de março. O filme teve direito a uma estreia exclusiva no Berlinale, Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro.
Mickey7, uma forma diferente de explorar a “imortalidade”
O livro de Mickey7 é um romance de ficção científica lançado pelo autor Edward Ashton em 2022. O anúncio da produção filme chegou um mês antes da publicação da obra. Em entrevista ao site Nerdist, Ashton disse que “Qual é o significado da vida?” e “Tem a tua vida menos significado se não puderes morrer?”, eram algumas das questões que pretendia responder na obra. O que começou em 2015 como uma pequena história, tornou-se uma exploração sobre o “paradoxo do teletransporte” e “do conceito de uma péssima imortalidade”, quando aplicado num “contexto mais abrangente e com uma estrutura social”. A receção ao livro foi positiva, com a rádio nacional norte-americana (NPR) a colocar a obra na lista de Melhores Livros de Ficção-Científica de 2022. Mickey7 foi também nomeado como um dos melhores livros de 2022 pelo site Goodreads.