Num país onde, segundo o Eurobarómetro para o Empreendedorismo na Europa, 62% dos portugueses respondem que gostariam ser os seus próprios patrões (contra 45% de média europeia), é curioso perceber o porquê na nossa tão baixa percentagem de empreendedores (uma das mais baixas da Europa).
O nosso ensino, ainda muito tradicional, não tem preparado os jovens portugueses para serem empreendedores, mas o mercado, a sociedade civil e de certa forma o Estado, têm dado alguns passos importantes com vista a colmatar esta importante lacuna.
Olhando para o mercado de trabalho, vemos que as ofertas de emprego escasseiam, tendo em vista a quantidade de licenciados que saem todos os anos das instituições de ensino Superior. Em 2009 existiam 67.000 finalistas à procura de emprego. Perante este panorama, a opção do “Faça você mesmo” está cada vez mais na ordem do dia.


Antes de te lançares nesta aventura é bom parares e fazeres 3 perguntas a ti próprio:


a) Tenho espírito empreendedor ou vontade de aprender para o adquirir?
b) Consigo desenvolver redes e sou capaz de arriscar?
c) Sou persistente e resistente à pressão e às situações de stress?


Sim?


Então agarra este desafio e, se tens uma boa ideia de negócio, segue-nos passo a passo:


1º A Ideia
Uma boa ideia, não é tudo, mas pode fazer a diferença. Se já a tens, vê se ela resiste a estas perguntas: a quem se destina o meu produto? É um produto necessário ao mercado? Tenho concorrência? Se sim, como me diferenciarei? Quanto custará o meu produto? Qual o investimento de que irei precisar? Onde poderei arranjar financiamento? Que apoios existem?
A ideia passou o teste? Segue então para o próximo ponto:


2º Plano de Negócios
É a hora de colocar no papel, de fazer contas. Se não estás bem a ver como fazer o teu plano de negócios vai a http://www.iapmei.pt/iapmei-art-02.php?id=162&temaid=17 e tens aqui uma ajuda preciosa. Há quem recorra a ajuda externa como empresas especializadas ou a um consultor. Dado que este é um passo de enorme importância e que pode fazer a diferença na construção do teu negócio, não vale a pena arriscar. Aqui, é mesmo jogar pelo seguro.
Se não puderes contratar ajuda externa, pelo menos consulta pessoas com experiência e bom senso. É importante testares as ideias e os planos com quem já sabe a diferença entre a teoria e a prática. Mais um teste à ideia torná-la-á mais consistente.


3º Financiamento
Se tiveres capitais próprios, então tens o caminho facilitado. No entanto, se não tiveres, há algumas outras formas de encontrares financiamento.
Para se encontrar um parceiro financeiro, um dos passos mais importantes é ter um orçamento bem feito e, fundamental, realista.
Para convencer seja um banco, seja um investidor, seja uma empresa de capital de risco é muito importante que saibas apresentar bem a ideia de negócio, com a argumentação bem treinada, sabendo salientar as razões que tornam a tua ideia viável e com diferenciação em relação a outras possíveis. Não te esqueças que a ideia ser boa é importante, mas a sua comunicação e embrulho podem fazer a diferença entre teres ou não teres capital para a desenvolveres. Não descures esta fase.


4º Constituição Formal da Empresa
Já com dinheiro garantido chegou a fase de constituir formalmente a empresa. É talvez a fase mais árida de todo o processo. A burocracia do Estado assim o exige. Existe o site http://www.portaldaempresa.pt/CVE/pt que dá informação importante. No entanto com a Empresa na Hora http://www.empresanahora.pt/ENH/sections/PT_inicio o que era um verdadeiro quebra cabeças, foi simplificado. Por agora existem 163 balcões de atendimento espalhados pelo país. Com esta ajuda conseguirás chegar a bom porto num tempo razoável.


5º Equipa
Pode ser uma equipa de sócios (que se responsabilizam por capital ou não), ou ser uma equipa de pessoas com quem estabeleças um contracto de trabalho. Nesta fase é também importante estares bem informado. Escolher as pessoas certas para o lugar certo é algo a que todas as empresas ambicionam, mas nem todas conseguem. Conheceres as pessoas com quem vais trabalhar pode ser uma vantagem, mas terás de ter em atenção a diferença entre amizade e trabalho… Se não conheceres, então atenção ao recrutamento, às características que procuras e, finalmente, às condições que propões. Se puderes, aconselha-te antes com um advogado com experiência de Direito do Trabalho ou alguém que perceba de contratos de trabalho.


6º Espaço
Nesta altura já definiste em orçamento se queres arrendar ou comprar, por isso, tens agora de ter em conta a localização, o preço, o estilo, etc… tudo isto deverá ser concertado com o tipo de negócio que vais desenvolver e o dinheiro que dispões para este item.
Podes sempre recorrer ao mercado, onde operam várias empresas que podem ser úteis na tua pesquisa de espaço. No entanto há ainda a hipótese das incubadoras de empresas, que são espaços dotados de infra-estruturas de apoio técnico e material, muitas vezes com apoio também administrativo a preços razoáveis. Existem algumas universidades que dispõem deste género de estruturas, onde muitas vezes se cria um ambiente verdadeiramente criativo, que ajuda à concretização do negócio. Este tipo de serviço pode permitir algumas poupanças que, na fase de arranque do projecto, podem ser importantes.
Já tens financiamento? Já tens empresa? Já tens a equipa formada? Já tens espaço?


7º Início de Actividade
É altura de lançares mãos à obra. Não te esqueças que é importante que tenhas o essencial para começar a funcionar, mas não esperes por ter tudo. Como sabes tempo é dinheiro e por isso, quanto mais depressa começares, mais depressa poderás ter retorno do teu investimento.

Deixamos-te aqui um vídeo brasileiro com algumas dicas.

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Boa Sorte!



 

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