Ao receber o prémio na segunda-feira, dia 8, Laura Falé sublinhou o peso simbólico do reconhecimento: "Dizer o nome da Beatriz de cada vez que falar neste prémio é usar o meu corpo também para contar a sua história." A premiada afirmou ainda estar "atenta e vocal" face ao que descreveu como um crescente machismo, homofobia, transfobia e radicalização do discurso público — tendências que, nas suas palavras, nos querem "de volta a um lugar onde nunca pertencemos, que é o de apartadas da vida pública e decisória". Acrescentou: "Esforço-me por ocupar o centro porque sei que, num instante, posso ser empurrada para um espaço onde deixo de ter poder de autodeterminação."
Com uma licenciatura em Gestão pelo Iscte e um mestrado em Filosofia pela Universidade de Coimbra, Laura Falé acumula atualmente a investigação doutoral com a docência no mestrado em Educação e Sociedade e na licenciatura em Gestão da Iscte Business School.

Este galardão foi instituído pelo Conselho Pedagógico do Iscte em 2023 para perpetuar a memória de Beatriz Lebre, reconhece estudantes que se destaquem pela sua integridade, sentido ético, respeito pelo outro e participação cívica ativa e conta com o apoio da Forum Estudante que patrocina o valor do prémio.

A cerimónia contou com a presença da Sra. Reitora do Iscte, Helena Carreiras, do Presidente e da vice-presidente do Conselho Pedagógico do Iscte, do diretor da Forum Estudante e da mãe da Beatriz, Paula Lebre.
Helena Carreiras aproveitou a cerimónia para reafirmar o compromisso da instituição com os valores que o prémio celebra. "São muito importantes para o Iscte, sempre foram e espero que continuem a ser. Estamos numa altura particularmente importante para o fazer, uma vez que vivemos tempos em que esses valores civilizacionais estão em retrocesso", declarou.
O prémio Beatriz Lebre tem o valor pecuniário de 500 euros.