Há, no universo do gaming, uma tradição associada aos jogos do universo 007. Depois de algumas experiências na década de 80, a verdadeira joia da coroa chegaria em 1997, com o lançamento de GoldenEye 007um shooter em primeira pessoa para a Nintendo64 com modo multiplayer que influenciou decisivamente a evolução da indústria. 

Ao longo das décadas seguintes, vários títulos se seguiriam, para vários sistemas. Pelo meio, a Electronic Arts perdeu os direitos de exploração da saga, seguindo-se a Activision, até 2014. No dia 27 de maio, a IO Interactive (detida pela Eidos Interactive e pela Square Enix) lançou o primeiro título do seu “reinado” sobre o universo de James Bond no mundo dos videojogos com 007 First Light. 

 

 

Uma aventura de espionagem

O estúdio define o título como “uma aventura de espionagem emocionante”. Ao estilo do que caracteriza os filmes da saga, vão existir “missões em localizações arrebatadoras, conduzindo veículos icónicos e mergulhando numa aventura cinematográfica”. 

Nem sequer um tema principal cantado por Lana Del Rey vai faltar. O jogo será também uma oportunidade de vestir a pela de 007, sendo que se trata de um “James Bond reimaginado”, realça a IO Interactive, mais jovem do que habitualmente retratado. 

 

 

 

 

É relevante destacar que a IO Interactive é a empresa responsável pela criação da saga Hitman que, desde 2000, tem sido um motor no desenvolvimento do estilo de jogo de stealth ou de furtividade com elementos de combate. “007 First Light usa o ADN de Hitman para criar algo único”, escreve o portal Eurogamer. 

É por isso sem surpresa que o novo jogo que dá vida a Bond vai permitir aos jogadores abordagens diversificadas. “Escolhe ser silencioso ou barulhento”, explica o estúdio, no site do jogo, destacando: “Seja a lutar com as mãos ou armas, a utilizar dispositivos para te infiltrar ou a enganar os guardas, a abordagem é uma escolha [dos jogadores]”.   

 

Expectativas elevadas

Num artigo publicado no site da Microsoft, o diretor da publicação Xbox Wire, Joe Skrebels, descreveu a sua experiência ao jogar uma demonstração durante um evento da indústria, em setembro de 2025. “007 First Light subiu para o topo da minha lista de jogos mais antecipados”, conta, explicando que, durante cerca de 40 minutos, teve oportunidade de jogar uma missão. Encontrando paralelismos com Hitman, Skrebels considera que o título será “muito mais do que um jogo de Hitman disfarçado”

Desde logo, explica, há uma diferença substancial na mecânica de jogo ajustada ao universo de Bond – “o jogador apenas pode utilizar força letal em resposta a um ataque do inimigo”. “Por essa razão, o início da missão obriga-te a interagir com os elementos mais subtis do mundo da espionagem". 

 

 

Um James Bond “em formação”

Numa partilha realizada com o portal Eurogamer, um dos argumentistas do jogo, Michael Vogt, explica que o objetivo não passa por “apresentar um James Bond totalmente formado”. “Vamos dar-lhe uma direção, mas não queremos definir a personagem neste jogo”, explicou, realçando que este Bond mais jovem (com 26 anos) se distingue por ser motivado pelo idealismo. O enredo não tem nenhuma ligação aos filmes que celebrizaram a personagem. 

Por outro lado, esta versão menos experiente do espião vai necessitar mais de confiar no apoio dos outros, seja em termos de narrativa, quer mesmo de jogabilidade, com a interação com outras personagens a ser vista como muito relevante para enriquecer a experiência dos jogadores. 

 


«A personagem de Bond evoluiu e, obviamente, nós refletimos valores modernos [...] Por isso não vai ser o Bond old school, que seria desalinhado com os tempos atuais»
Martin Emborg, Diretor Narrativo de 007 First Light

 

Em entrevista ao portal Monstervine, o diretor narrativo do jogo, Martin Emborg, explicou a razão pela qual o estúdio sentiu necessidade de fazer alterações, quando questionado sobre a relação do espião com as mulheres no material original: “A personagem de Bond evoluiu e, obviamente, nós refletimos valores modernos”, sublinhou, antes de concluir: “Por isso não vai ser o Bond old school, que seria desalinhado com os tempos atuais”