A estatística que sustenta a Inteligência Artificial
Antes de qualquer algoritmo aprender seja o que for, há sempre matemática e estatística por trás. É esse o ponto de partida do trabalho da investigadora e docente da NOVA FCT, Regina Bispo, que dedica parte da sua investigação a explicar como estas duas áreas são essenciais para validar modelos, detetar enviesamentos nos dados e gerir incertezas nos sistemas de IA.
"A tecnologia pode melhorar processos em saúde, ambiente, agricultura e na sociedade em geral, mas o fator humano é sempre imprescindível. A matemática e a estatística permitem interpretar resultados complexos e garantir que a tecnologia serve as pessoas e não o contrário”, destaca a docente.
Questionada sobre a diferença entre aprendizagem automática e inteligência artificial, a investigadora esclarece que o machine learning é, no fundo, um conjunto de métodos que aprende padrões a partir de dados e não um sinónimo direto de IA, como muitas vezes se pensa.

"A inteligência artificial é um guarda-chuva mais amplo, que engloba várias técnicas", sublinha, antes de acrescentar: "É por compreendermos esta diferença que conseguimos interpretar de forma crítica muitas das tecnologias que nos rodeiam, desde as recomendações de música ou vídeo até aos algoritmos que alimentam os nossos feeds nas redes sociais”.
Para Regina Bispo, a inovação tecnológica só é socialmente aceitável quando assenta em literacia científica, responsabilidade no uso de dados e respeito pela privacidade, princípios integrados no dia a dia da NOVA FCT. Podes ler a entrevista completa aqui.
Mitos e verdades sobre IA
Machine learning e Inteligência Artificial são a mesma coisa.
O machine learning é apenas um dos métodos usados para "ensinar" um sistema a reconhecer padrões a partir de dados.
Quanto mais sofisticado o algoritmo, mais fiável é o resultado.
Sem literacia científica, gestão de incertezas e cuidado com a privacidade dos dados, nenhum modelo é verdadeiramente de confiança.
A Inteligência Artificial vai substituir os profissionais de saúde (ou de outras áreas críticas).
Em projetos como o HUMAI, a IA funciona como apoio à decisão das equipas clínicas, não como substituta.
HUMAI. A IA ao serviço da Saúde
Outro dos projetos da NOVA FCT ligados à IA passa pela criação de um algoritmo que consegue prever quais os doentes com maior probabilidade de recorrer repetidamente às urgências a tempo de intervir antes disso acontecer. É essa a proposta do HUMAI (High Users Management with AI), um projeto que junta a NOVA FCT, a Unidade Local de Saúde Almada-Seixal e o Value for Health CoLAB.

Com recurso a machine learning e dados clínicos reais, o projeto criou uma plataforma digital que permite às equipas do Hospital Garcia de Orta acompanhar de forma contínua a evolução dos doentes que mais recorrem à Urgência Geral, cruzando dados clínicos e demográficos. Podes saber mais sobre este projeto aqui.
A investigação destaca que o objetivo não passa por substituir os profissionais de saúde, mas sim ajudá-los a agir mais cedo, identificando padrões de utilização frequente e possibilitar intervenções personalizadas, aliviando a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde. O desenvolvimento da plataforma foi feito em co-criação entre investigadores, médicos e gestores.
Como estudar Inteligência Artificial na NOVA FCT?
Se ficaste curioso sobre como se aprende tudo isto, a NOVA FCT tem várias portas de entrada para quem quer trabalhar com dados e algoritmos:
Mestrado Integrado em Engenharia Informática I
Inclui uma forte componente de inteligência artificial e aprendizagem automática, aplicada a áreas como cibersegurança, saúde pública e agricultura digital.
Mestrado em Análise e Engenharia de Dados
Foca o processamento de grandes volumes de dados através de métodos de aprendizagem automática, em parceria entre os departamentos de Informática e Matemática.
Mestrado em Matemática e Aplicações
Com especialização em Ciências dos Dados e da Decisão para quem quer perceber a matemática que sustenta os modelos de IA, aplicada a áreas como análise de risco e previsão.
Mestrado em Competências Digitais na Saúde
Junta IA, cibersegurança e robótica às competências específicas da área da saúde.






