Antígona, Sófocles  

Pergunta-chave: Se a lei é injusta, temos o dever de desobedecer?  

Antígona é o nome da jovem protagonista que dá o título a esta peça escrita na Grécia Antiga. A protagonista é irmã de Etéocles e Polinices. Durante a guerra, Etéocles defendeu Tebas e por isso terá direito a um funeral, enquanto Polinices, como atacou a cidade, não poderá ter as mesmas honras por ordem de Creonte, o novo rei de Tebas. Na cultura grega, sem ser sepultada, a alma não encontra a paz e, contrariando as ordens do rei, Antígona (que considerou a ordem injusta) enterra o seu irmão em segredo. Em Antígona, além do conflito familiar e da subversão da juventude, também podemos encontrar reflexões sobre temas muito atuais, 2500 anos depois, como os papéis de género ou a desobediência civil. 

 

Odisseia, Homero 

Pergunta-chave: O que significa o lugar a que chamamos casa?  

Odisseia é um dos dois poemas épicos da Grécia Antiga que são atribuídos a Homero. Ambas são consideradas as primeiras obras da literatura ocidental. Lançada no século XIII a.C., Odisseia foi transmitido durante séculos através da tradição oral. O poema tem como protagonista Odisseu (conhecido depois como Ulisses, por influência romana), um herói da Guerra de Tróia, e a sua jornada para regressar a casa ao longo de dez anos, focando a forma como esta experiência o transforma. O herói enfrenta “deuses e cantos de sereias, feiticeiras que transformam humanos em porcos, gigantes ciclópicos e outros seres extraordinários”, escreve o portal RTP Ensina. A obra integra reflexões muito relevantes para um mundo globalizado sobre temas como migração, identidade e interculturalidade.   

 

Há muito tempo atrás… como soava a Odisseia de Homero? – Marca Páginas

 

Medeia, Eurípedes 

Pergunta-chave: O que nos torna capazes dos piores atos?  

Baseada num mito, Medeia é uma tragédia que foca a personagem com o mesmo nome – uma princesa que é abandonada pelo marido e que toma ações cruéis e violentas para conseguir vingar-se. A violência cometida por Medeia faz com que a obra tenha sido analisada, ao longo dos séculos, como uma peça de teatro que foca as desvantagens de ser mulher numa sociedade patriarcal, a expressão de atitudes misóginas e o efeito da exclusão social. Esta visão mais empática da protagonista contrasta com os seus atos bárbaros, que terão chocado as audiências gregas no século V a.C. Dentro destes elementos, é possível encontrar a desconstrução dos papéis de género e as complexidades psicológicas que nos encaminham até à violência.   

 

A Política, Aristóteles 

Pergunta-chave: O que significam justiça e ética na democracia?  

Embora a democracia grega tivesse contornos muito diferentes das que conhecemos atualmente, há na obra de Aristóteles pensamentos muito importantes sobre os dilemas que estão na base da sociedade. Muitos dos conceitos viajaram até nós como a ideia de uma “classe média estabilizadora”, de que os humanos são “animais políticos”, bem como a importância da legislação ou da ética da liderança. “Mais de dois mil anos depois da sua morte, Aristóteles ainda molda a forma com pensamos em governo, justiça e o que significa ser um bom cidadão”, escreve o PolSci Institute. A obra é ainda conhecida por ser a primeira investigação de ciência política, com Aristóteles e os seus estudantes a analisarem uma variedade de formas e regimes políticos.  

 

 

A República, Platão 

Pergunta-chave: O que nos torna humanos em sociedade?  

“Escrita na Grécia Antiga num tempo de decadência política, a República de Platão está a tornar-se cada vez mais relevante para quem se preocupa com a justiça ou tem interesse em recuperar a saúde política das nossas comunidades”. É desta forma que a revista Slate define a importância da obra de Platão que procura responder à pergunta “o que é verdadeira justiça?”, analisando temas como o interesse próprio, o dever cívico e os direitos humanos. Os conceitos de meritocracia e corrupção também já estão presentes no texto de Platão que utiliza imagens que ficariam muito conhecidas como “A Alegoria da Caverna”. Embora deva ser lida tendo em conta o seu tempo (Platão defende conceitos como a censura, a criação de classes sociais e uma elite no poder), as questões que levanta continuam a ser relevantes para a análise dos nossos tempos.  

 

As nuvens, Aristófanes 

Pergunta-chave: Qual a importância da crítica social? 

Estreada há quase 2500 anos na Grécia, As Nuvens é uma comédia que acompanha a história de um homem endividado graças aos gastos do seu filho. Para tentar negociar com os credores, o protagonista decide ir pedir ensinamentos de retórica a Sócrates. A ironia de Aristófanes não poupa ninguém – nem sequer o próprio Sócrates que é descrito pelo autor como um dos “sofistas” (pensadores que ensinavam a arte da retórica e da persuasão) que criticou. Através da sátira, Aristófanes crítica o sistema de educação da época, apontando os sofistas como intelectuais pretensiosos. Por outro lado, os cidadãos também são criticados por procurarem saídas fáceis para os seus problemas e caíram nas mãos de mentirosos que não ensinam nada de útil.