Qual é a experiência de famílias em que vários elementos optam pela mesma instituição de ensino superior? Nesta série de artigos, vamos à descoberta deste lado familiar do Politécnico de Setúbal e das histórias de pais e filhos que se partilharam os mesmos corredores e salas de aula.
Em 2010, Eglantino Figueira trabalhava como maquinista de comboios do Metro de Lisboa. “Fazia a linha azul”, conta. Na altura em que ouviu alguns rumores sobre a possível privatização, começou a equacionar voltar a estudar. “Comecei a trabalhar aos 17 anos e dediquei a minha vida ao trabalho”, conta, explicando que pensou ser melhor “ter alguma formação, caso voltasse ao mercado de trabalho”.
A formação superior alterou a minha vida profissional, a forma de me relacionar com o mundo, as minhas perspetivas de futuro»
Eglantino Figueira
Eglantino dirigiu-se à EST Barreiro procurar formações adequadas. Foi nessa altura que o funcionário da secretaria lhe fez uma sugestão que não tinha considerado – ingressar numa licenciatura através do concurso para Maiores de 23 anos. “Não estudava há 20 anos, mas consegui fazer a licenciatura toda nos 3 anos, sem deixar nunca nenhuma cadeira”, conta Eglantino. Dois anos depois, em 2017, ingressou no mestrado em Engenharia Civil.
No Metropolitano de Lisboa, pôde ingressar na carreira de técnico superior como Engenheiro Civil. “A formação superior alterou a minha vida profissional, a forma de me relacionar com o mundo, as minhas perspetivas de futuro”, conta. “Todo o percurso foi muito gratificante, com docentes acima da média, preocupados com os alunos – a com dois filhos pequenos, quis procurar algo me desse mais valências”, conta, antes de concluir: “Arrisquei e valeu a pena”.
Eglantino e Alexandre Jesus estudaram na EST Barreiro e destacam o ambiente de proximidade e o ensino prático.
Alguns anos depois, em 2019, foi a vez do filho, Alexandre Jesus, ingressar no ensino superior. “O meu pai mencionou o IPS como opção, dizendo que a parte prática do ensino é valiosa”, conta o hoje especialista em Quality Assurance Automation. Acabaria mesmo por entrar na licenciatura em Bioinformática, onde diz ter encontrado apoio da comunidade académica: “Abriram-me portas e deram-me a oportunidade de crescer”.
Ligados pelo estudo
Enquanto pai e filho, Eglantino e Alexandre chegaram a estudar juntos. “Fazíamos os mesmos testes, debatíamos as melhores abordagens de estudo”, conta Alexandre. Não era a primeira vez que acontecia esta partilha. “Dei muitas aulas de matemática ao Alexandre quando ele estava no secundário”, conta. No restaurante, antes de chegar a refeição, faziam cálculos matemáticos nas toalhas de papel. “No final, tínhamos de pedir uma nova”, conta Alexandre, sorridente.
Para além do estudo da teoria, Eglantino considera fundamental a abordagem prática do ensino vivida no IPS. “Desta forma, podemos ver como as coisas funcionam e isso é importante para sabermos onde podemos melhorar”. “Essa experiência permite-nos abrir horizontes”, concorda Alexandre. Eglantino diz esperar que a sua história e a de Alexandre seja inspiradora para outros: “Espero que sirva de incentivo a outras famílias a dar continuidade a esta grande família que é a EST Barreiro”.






