FE – O imperado na altura era visto como um Deus no Japão, e isso é dado a entender pelo filme, o MacArthur apercebeu-se disso e tentou por isso encontrar outras soluções, certo?
PW – Sim. Os japoneses viam o seu imperador como uma figura divina e de respeito. É interessante pensar nas atitudes e decisões do MacArthur, porque a coisa mais fácil a fazer era matar o Imperador após julgá-lo num tribunal militar, tal como aconteceu na Europa às altas patentes nazis, mas ele preferiu fazer as coisas de uma forma mais razoável. Os americanos julgaram, ainda assim, vários membros do exército japonês, mas não houve nenhum julgamento muito mediático. Eu acho que os americanos optaram por esta via porque estavam a pensar no futuro a longo prazo, e não no futuro a curto prazo. Se olharmos para o que aconteceu ao Japão desde então, vemos que eles tornaram-se numa potência económica e num grande aliado dos americanos. É por isso que digo que o MacArthur tomou as decisões mais acertadas.
FE – Como foi trabalhar com o Tommy Lee Jones e o Mathew Fox, os dois astros principais deste filme?
PW – Trabalhar com o Tommy Lee Jones foi assustador, porque o Tommy Lee Jones é uma personagem assustadora. Eu dei-me muito bem com ele, mas ele tem uma certa reputação de ser um durão, mas eu dei-me muito bem e gostei bastante de trabalhar com ele. É claro que ele é uma pessoa diferente com uma personalidade bem vincada, mas, comparando com outros atores americanos, não é tão egocêntrico. Ele é muito inteligente, aliás ele estudou em Harvard e até partilhou um quarto com o Al Gore, portanto ele é uma personagem muito interessante. O Mathew também é uma boa pessoa. Eu trabalhei mais com o Mathew, porque ele entra em grande parte do filme. Ele portou-se muito bem, tendo em conta que tinha uma personagem muito difícil que anda sempre a levar porrada dos japoneses. A personagem puxou muito dele, mas ele portou-se muito bem.
FE – É portanto um filme a não perder. E projetos futuros? Está atualmente a trabalhar em alguma coisa nova?
PW – Estou atualmente a trabalhar num documentário sobre duas questões e problemáticas muito pertinentes: a sobrepopulação e as grandes alterações climatéricas.
FE – Vai ser portanto uma espécie de “Uma Verdade Inconveniente”, do Al Gore? Ou será ainda mais polémico?
PW – Vai ser ainda mais polémico. Estou a trabalhar com um brilhante académico britânico chamado Stephen Emmott, que fala e discute sobre estes temas muito importantes. Ele até vai lançar, em breve, um livro sobre estes temas assustadores. Ele lança um olhar muito sombrio sobre os problemas e as questões que nos aguardam no futuro. O que as novas gerações vão enfrentar será assustador. Será interessante falar sobre isto no documentário.
FE – E tem mais algum projeto?
PW - Eu também estou a produzir o filme de estreia de uma jovem realizadora chamada Sophia Almeria, que se passa no Egipto. É um épico histórico, mas também um thriller de vingança.






